sábado , 18 maio, 2024
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Paciente vivo recebe primeiro transplante de rim de porco geneticamente modificado

Rim foi fornecido pela eGenesis, uma empresa americana que desenvolve órgãos geneticamente modificados e compatíveis com humanos para transplante

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Foi anunciado nesta quinta-feira (21) pelo Massachusetts General Hospital (MGH) um marco histórico para a medicina. Cirurgiões conseguiram pela primeira vez transplantar com sucesso um rim de porco geneticamente modificado em um paciente vivo.

O procedimento realizada no último sábado (16) foi comandado pelo médico brasileiro Leonardo Riella em Boston, nos Estados Unidos. Segundo comunicado divulgado pelo hospital, o paciente, Richard Slayman, de 62 anos, está se recuperando bem.

O homem disse à AFP que foi informado dos riscos do procedimento, mas ainda assim preferiu prosseguir para “dar esperança a milhares de pessoas que precisam de um transplante para sobreviver”.

O rim foi fornecido pela eGenesis, uma empresa americana que desenvolve órgãos geneticamente modificados e compatíveis com humanos para transplante.

Transplante de órgãos de animais em humanos

  • Vale destacar que a área de transplante de órgãos de animais em humanos (xenoenxertos) avançou muito nos últimos anos.
  • Outros pacientes também receberam órgãos geneticamente modificados, procedimento realizado para tentar diminuir o risco de rejeição, explicam especialistas.
  • Um deles chegou a receber um coração de porco, mas começou a mostrar sinais de rejeição seis semanas após a realização do transplante e morreu.
  • O transplante de rim de porco também foi realizado em setembro de 2021 por cirurgiões do Hospital Langone, em Nova York, mas em uma pessoa com morte cerebral.

No Brasil, segundo os dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de janeiro de 2024, mais de 41 mil pessoas aguardam na fila de transplante de órgãos no Brasil (24.393 homens e 17.165 mulheres). O rim inclusive é o órgão mais transplantado no país, seguido pelo fígado e coração.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 2023 viu um importante aumento no número de doação de órgãos no Brasil, tornando-se o melhor ano em uma década no setor de transplantes do país. Conforme divulgou o G1, foram 3.060 doações de janeiro a setembro, um salto de 17% em comparação com o mesmo período de 2022.

Quem é o médico brasileiro que comandou a cirurgia?

Leonardo V. Riella é formado pela Universidade Federal do Paraná e atualmente é presidente do Harold and Ellen Danser e professor de Medicina e Cirurgia na Harvard Medical School. Riella também é diretor de transplante renal do Massachusetts General Hospital, pesquisador sênior do Center for Transplantation Science, membro associado do Broad Institute de Harvard e do MIT e editor associado do American Journal of Transplantation.

O médico com mais de 160 publicações científicas já participou de diversas pesquisas envolvendo o desenvolvimento de terapias para melhorar a tolerância dos órgãos transplantados e identificar marcadores de rejeição precoce em órgãos transplantados (Via: LinkedIn).