PMs que agrediram trabalhador em SP intimidaram testemunhas, diz depoimento

Uma adolescente de 16 anos e a avó relataram que policiais voltaram à cena do crime para saber quem havia feito gravação de vídeo que repercutiu nas redes sociais

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O tenente da Polícia Militar Iuri Filipe dos Santos e o sargento Marcelo Vitor da Silva, que foram filmados espancando Deijair Paulino da Silva, de 25 anos, na última terça-feira (7), voltaram ao local do crime para intimidar uma adolescente de 16 anos e a avó dela.

As mulheres são testemunhas da ação dos militares e relataram em um vídeo, ao qual a CNN teve acesso, que depois das agressões ambos voltaram ao local do crime para perguntar quem havia gravado a cena e para quem o vídeo teria sido enviado.

Em depoimento à polícia militar, as mulheres contaram que depois das agressões os policiais queriam saber para quem as imagens haviam sido enviadas.

“Me pediram para apagar. Pediram para ver o vídeo e perguntaram “para que grupo você mandou?”, relatou a adolescente.

No relato registrado em vídeo, a jovem e a avó, visivelmente assustadas, continuam: “Eles falaram que se ela colocasse (o vídeo) nas redes sociais, ela seria processada e que se o vídeo continuasse circulando, ele iria “meter processo”, desabafou a avó da adolescente.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que os policiais estão afastados dos serviços operacionais, e que um inquérito foi instaurado para apurar o caso. Não há informações sobre quais funções os agentes seguem executando.

Relembre o caso

Deijair Paulino da Silva, de 25 anos, foi brutalmente espancado pelo tenente da Polícia Militar Iuri Filipe dos Santos e pelo sargento Marcelo Vitor da Silva no último dia 7 de maio, na cidade de José Bonifácio, no interior de São Paulo. As imagens das agressões circulam nas redes sociais desde a tarde desta quarta-feira (8).

Segundo depoimento dos policiais, Deijair foi abordado sob o argumento de que seria suspeito de um roubo ocorrido na cidade. Entretanto, a vítima justificou não tinha como estar no roubo, já que havia passado a manhã em uma reunião, em que recebeu uma resposta positiva sobre uma proposta de trabalho.

As imagens gravadas mostram que os policiais tentaram acessar o celular de Deijair, que se recusou e foi agredido em pelo menos duas oportunidades.

A vítima do roubo alegado pelos policiais não reconheceu Deijair como autor.

Na noite desta quinta-feira (9), Deijair precisou de atendimento médico devido aos ferimentos causados durante a agressão A CNN tenta mais informações sobre o seu estado de saúde.