Café Robusta Amazônico é elevado a patrimônio cultural e imaterial do estado de Rondônia

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A qualidade sustentável e a valorização do Café Robusta Amazônico o tornaram Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Rondônia na quinta-feira (4). Com a Lei nº 5.722, sancionada pelo Governo do Estado, o grão tradicional conquistou mais um importante reconhecimento da marca, o que fortalece as políticas públicas de incentivo para o cultivo do produto.

A Lei foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (ALE/RO), baseada na preservação do produto pelo Estado, em parceria com centenas de produtores rurais que fazem o cultivo de geração em geração. Outro ponto fundamental para o feito, é a notoriedade que o café vem ganhando, por meio de premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais, além de alcances expressivos na produção.

Para o governador em exercício, Sérgio Gonçalves, o Executivo Rondoniense caminha junto aos agricultores, promovendo a cafeicultura por meio de diversas ações. “São muitas políticas públicas que já foram desenvolvidas para atender o Agro, principalmente na produção do Café Robusta Amazônico. É uma honra dizer, agora, que este produto é nosso patrimônio, graças às ações do Governo, em parceria com o Poder Legislativo e os 52 municípios”, declarou.

A potencialidade da espécie tem refletido especialmente no crescimento econômico, considerando o trabalho árduo de muitos cafeicultores na linha de frente. De acordo com o Informativo Agropecuário de Rondônia 2023, o Estado tornou-se o 2º maior produtor de Café Robusta do Brasil, com produção média de mais de 194 mil toneladas. Além desse ranking, o grão ganhou outras notoriedades marcantes com o incentivo do Estado.

A coroação deste título é resultado da atuação de produtores rurais e do Governo do Estado que garantiram diversas iniciativas de fomento, a exemplo da realização do 8º Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé) que, somente no ano passado, entregou mais de R$ 264 mil em prêmios para os vencedores. Houve, também, outros eventos que levaram produtores rondonienses a subirem ao pódio nos últimos anos.

PREMIAÇÕES

Recentemente, no Estado, tivemos campeões nacionais e internacionais do segmento, reunindo conquistas em 1º, 2º e 3º lugares na competição Florada Premiada 2023. Investimentos e qualidade ainda renderam mais vitórias, como a garantia do 2º melhor café do Brasil, do Coffee of The Year, na categoria “Canephora Robusta Amazônico”, ambos eventos realizados em Minas Gerais.

Segundo o presidente da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RO), Luciano Brandão, está sendo feito um trabalho efetivo para transformar cada vez mais a cafeicultura. “É uma satisfação receber este reconhecimento justamente na data do aniversário do Estado, que se somará a outros. A declaração, aliada ao selo de Identificação Geográfica Matas de Rondônia, agrega ainda mais valor ao café produzido no Estado, que chega ao mercado brasileiro e exterior”, ressaltou.

INVESTIMENTOS

Em conjunto com a Emater/RO, a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) incentiva o pequeno produtor de café, por meio de programas de distribuição de mudas, transporte de calcário, fomento com máquinas e implementos agrícolas. No ano de 2023, foram investidos mais de R$ 200 milhões em máquinas, assistência técnica, feiras e exposições, com ênfase à Rondônia Rural Show Internacional, que é uma grande vitrine de comercialização do agronegócio.

Para o secretário da Seagri, Luiz Paulo, o reconhecimento enaltece o esforço dos produtores para melhoria da produção e entrega de um produto de excelência. “O Governo tem cumprido a sua missão principal, com assistência, distribuição de mudas, calcário e incentivos por meio de concursos. Com tudo isso, a entrega dos resultados pelo agricultores tem sido ainda melhor”, acrescentou.

CAFÉ EM RONDÔNIA

O café foi introduzido em Rondônia por migrantes, atraídos pelos projetos de colonização e reforma agrária criados pelo Governo Federal, na década de 1970. As primeiras plantações de café foram estabelecidas com sementes da espécie Arábica, trazidas com a movimentação dos primeiros colonizadores.

Com os migrantes do Estado do Espírito Santo vieram as primeiras sementes da espécie Canéfora, popularmente chamadas de Conilon e Robusta. Pela resistência às condições do relevo e ao clima amazônico, essa espécie prevaleceu sobre as variedades do café Arábica.

A seleção de plantas da espécie Canefóra, potencialmente mais produtivas e de sabor agradável, realizada por produtores e mediante pesquisas, deu origem aos clones que hoje são conhecidos como Robustas Amazônicos. Com o incentivo do Governo de Rondônia, por meio de projetos de revitalização da cafeicultura, prestação de assistência técnica e outros serviços, houve um crescimento que refletiu não só na cultura, mas no desenvolvimento socioeconômico ao longo dos anos.