Combates mantêm civis presos em siderúrgica na Ucrânia

ONU lança nova operação de retirada

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Dezenas de civis ucranianos, incluindo mulheres e crianças, estavam presos nessa quinta-feira (5) em abrigos subterrâneos em uma siderúrgica de Mariupol, abalada por fortes explosões, enquanto forças russas lutam pelo controle do último reduto da Ucrânia na cidade portuária em ruínas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que uma nova operação está em andamento para retirar mais pessoas de Mariupol e da siderúrgica de Azovstal, onde cerca de 200 civis ainda estão escondidos em bunkers subterrâneos com pouca comida ou água.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou ao primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, em conversa por telefone, que Kiev deveria determinar que os soldados ucranianos que defendem a siderúrgica sitiada baixassem as armas, acrescentando que a Rússia ainda está preparada para fornecer passagem segura aos civis.

Ucranianos que defendem o local estão resistindo desesperadamente há semanas, e embora alguns civis tenham conseguido sair de maneira segura por meio de corredores humanitários, aproximadamente 200, segundo autoridades ucranianas, permanecem na parte de dentro, com pouca comida, água e remédio.

O Kremlin negou anteriormente que as forças russas estavam invadindo a siderúrgica da era soviética. Citou uma ordem de 21 de abril, de Putin, de que elas deveriam fechá-la, mas não entrar no seu labirinto de túneis subterrâneos.

Mas um soldado ucraniano que estava preso no grande complexo – a última parte da cidade ainda nas mãos da Ucrânia – acusou as forças russas de violar a defesa de siderúrgica pelo terceiro dia, desobedecendo promessa anterior de Moscou de pausar suas atividades militares para permitir a retirada de civis.

“Combates sangrentos e pesados estão em andamento”, disse o capitão Sviatoslav Palamar, vice-comandante do regimento Azov da Ucrânia, em vídeo publicado online.

“Mais uma vez, os russos não cumpriram a promessa de cessar-fogo e não deram oportunidade aos civis que buscam abrigo nos porões da siderúrgica para que possam evacuar”, disse. A Reuters não conseguiu verificar o relato de maneira independente ou de onde ele estava falando.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, informou ao Conselho de Segurança que uma terceira operação está em andamento para retirar civis de Mariupol e Azovstal. Em esforço conjunto com a Cruz Vermelha, a ONU ajudou quase 500 civis a fugirem da área na semana passada.

“Espero que a coordenação contínua com Moscou e Kiev leve a mais pausas humanitárias para permitir a passagem segura dos civis dos combates, e que ajuda possa alcançar aqueles em necessidade crítica”, afirmou Guterres.

“Devemos continuar a fazer todo o possível para tirar as pessoas desse cenário infernal”. Guterres se recusou a dar detalhes sobre a nova operação “para evitar minar um possível sucesso”.

O Exército da Rússia prometeu pausar as atividades em Azovstal durante dessa quinta-feira e nos próximos dois dias, para permitir que civis sejam retirados, após lutas impedirem a saída deles da siderúrgica na quarta-feira. O Kremlin informou que foram formados corredores humanitários a partir da siderúrgica.

Em discurso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a Ucrânia estava pronta para garantir um cessar-fogo.

“Demorará para simplesmente tirar as pessoas daqueles porões, daqueles abrigos subterrâneos. Nas atuais condições, não podemos usar equipamentos pesados para retirar os destroços. Precisa ser feito com a mão”, afirmou Zelenskiy.

Expansão da Otan

A defesa teimosa da Ucrânia em Azovstal mostrou a falha da Rússia de tomar grandes cidades em uma guerra de dez semanas, que levou potências ocidentais a enviarem armas a Kiev e punir Moscou com sanções.

No que pode ser uma grande mudança histórica que, com certeza, deixará Moscou furiosa, Suécia e Finlândia podem em breve decidir se juntar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Suécia e Finlândia, que têm fronteira de 1.300 quilômetros com a Rússia, ficaram fora da Otan durante a Guerra Fria, mas a invasão de Moscou à Ucrânia levou ambas a repensarem suas necessidades por segurança.