
Proposta histórica avança com apoio da maioria dos deputados
Nesta sexta-feira (20), o Parlamento do Reino Unido aprovou, por 314 votos a 291, o projeto que legaliza a morte assistida. A medida se aplica a adultos com doenças terminais, com expectativa de vida inferior a seis meses e plenas condições mentais.
O texto segue agora para a Câmara dos Lordes. Apesar de possíveis emendas, a expectativa é de que o projeto avance. Isso porque a maioria dos deputados eleitos já manifestou apoio.

Projeto define critérios e cria nova estrutura de avaliação
A proposta estabelece que a decisão não passará mais por um juiz. Agora, um painel formado por um assistente social, um jurista e um psiquiatra fará a análise. Essa mudança, no entanto, gerou críticas.
A deputada Kim Leadbeater, autora do texto, afirmou estar confiante na nova legislação. Segundo ela, as regras protegem os pacientes e garantem dignidade.
O primeiro-ministro Keir Starmer votou a favor, mas adotou postura neutra. Ele declarou que cada parlamentar deveria votar de acordo com suas convicções pessoais, sem seguir orientações partidárias.

Oposição teme pressão sobre pacientes e cortes em cuidados paliativos
Grupos contrários alertam para riscos à população mais vulnerável. Eles argumentam que muitos pacientes podem se sentir pressionados a antecipar a morte. O medo de se tornarem um fardo para a família seria um fator determinante.
A organização “Care Not Kill” classificou a proposta como falha e perigosa. Segundo o CEO do grupo, Gordon Macdonald, os deputados tiveram menos de dez horas para analisar 130 emendas. Para ele, o debate precisa de mais tempo e cautela.
Além disso, críticos apontam outro risco: o impacto nos serviços do NHS (Sistema Nacional de Saúde britânico). Há receio de que a medida desestimule investimentos em cuidados paliativos e afete a relação entre médico e paciente.
Reino Unido pode seguir exemplos de países que já adotam o modelo
Se for aprovada também na Câmara dos Lordes, a legislação representará uma mudança histórica. A morte assistida já é permitida na Austrália, no Canadá e em alguns estados dos EUA.
Pesquisas mostram que a maioria dos britânicos apoia a legalização. O avanço no Parlamento indica sintonia com a vontade popular, ainda que o tema continue polêmico.
Possíveis consequências da nova legislação
Caso se torne lei, o Reino Unido se juntará a países que permitem a morte assistida sob critérios rigorosos. Especialistas destacam que será necessário garantir transparência e acompanhamento ético.
Médicos também defendem que os cuidados paliativos continuem sendo uma prioridade. Segundo eles, a nova medida não pode substituir políticas públicas voltadas à humanização do fim da vida.



