Quanto custa aos britânicos manter a família real? Saiba de onde vem o dinheiro

Os contribuintes do Reino Unido deverão arcar com um valor adicional de mais £ 27 milhões (R$ 176 milhões) nos próximos dois anos, graças a uma queda no lucro do Crown Estate

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Mesmo durante a pandemia da Covid-19, as despesas da família real cresceram. Em 2021, os gastos bateram cerca de £ 102,4 milhões, mais de R$ 650 milhões, de onde saiu grande parte da receita para reformar Palácio de Buckingham – residência oficial da Monarca do Reino Unido. As obras ainda podem se estender pelos próximos 9 anos.

A principal fonte de renda da família real vem do Sovereign Grant (Subsídio Soberano, em português), uma reunião de propriedades e fazendas que geram centenas de milhões de libras por ano e é o meio por onde os contribuintes britânicos pagam impostos à realeza. Isso porque uma modalidade muito frequente no Reino Unido é o aluguel de imóveis que estão sobre terrenos que pertencem a outra pessoa.

Grande parte da arrecadação vai para os cofres públicos, mas uma fatia de até 25% é depositada nas contas da família real anualmente para que possam exercer suas atividades de Chefe de Estado.

Charles III, filho da rainha Elizabeth II, recebe grande parte de seus rendimentos das propriedades que estão sobre terrenos do condado de Cornualha, na Inglaterra. A fortuna acumulada deve-se também aos investimentos feitos pela família ao longo dos anos.

Segundo dados oficiais do Relatório Anual e Contas para 2021 e 2022, alguns gastos foram:

  • £ 37,1 milhões (R$ 222,9 milhões) em projetos de construção;
  • £ 4,7 milhões (R$ 28,2 milhões) em despesas com viagens;
  • £ 900 mil (R$ 5,4 milhões) em eletricidade;
  • £ 1,7 milhão (R$ 10,2 milhões) em comidas e bebidas;
  • £ 2,3 milhões (R$ 13,8 milhões) em limpeza e lavagem de roupas;
  • £ 10,5 milhões (R$ 63 milhões) em serviços diversos como telecomunicações.

A partir de 2022, os pagadores de impostos do Reino Unido deverão arcar com um valor adicional de mais £ 27 milhões, cerca de R$ 176 milhões, nos próximos dois anos, graças a uma queda no lucro do Crown Estate. Parte do prejuízo se deve pela queda na receita de ingressos de visitantes nos palácios reais devido à pandemia.

O Sovereign Grant para 2022 foi fixado em £ 86,3 milhões (R$ 549 milhões), 1,3% menor do que em 2021.

De maneira geral, o total de contribuintes britânicos divididos pelo total gasto pela família real gira em torno de £ 1 (R$ 6) por mês, podendo custar mais de acordo com os lucros obtidos ano a ano.

A família real gasta mais do que gera lucro?

À CNN, Marcus Vinicius Freitas, especialista em relações exteriores e professor visitante na China Foreign Affairs University, explica que a monarquia britânica gera mais dinheiro do que despende. Grande parte desse lucro vem do culto às tradições que a rainha manteve nos seus 70 anos de reinado. “Todo mundo vai para Londres para ver a Guarda Real, comprar objetos da rainha, todo mundo quer passar pelo palácio”, afirma o professor.

“Em Londres, você vê muitas vezes na porta das lojas selos outorgados ou pelo príncipe de Gales [Charles III], pelo príncipe Philip ou pela rainha Elisabeth II como fornecedores da casa real. Então você sabe que aquele produto vendido é de qualidade. Isso gera movimento para o comércio, e todos do comércio querem os selos, porque é importante ser fornecedor reconhecido”, exemplifica.

O lucro também estaria no fato de que a família ajuda a manter milhares de instituições de caridade ou “empresta” o nome para conferir autoridade às instituições – uma outra espécie de selo.

Em comparação aos regimes republicanos, o professor explica que, em geral, há pouco patrocínio para diversas causas. Além disso, os regimes presidencialistas que você observa pelo mundo são muito mais caros porque você sustenta não somente o presidente, mas os ex-presidentes existentes. Obviamente que existe sempre um movimento republicano, mas esse movimento não chega a 20% da população”.

Ao longo dos anos, cresce a tendência de membros da família real gerando sua própria renda advinda de trabalhos comuns. Harry e Meghan se juntarão a muitos dos outros netos da rainha que trabalham fora da família real: a filha mais velha do príncipe Andrew, a princesa Beatrice, trabalha na empresa de software Afiniti, enquanto sua irmã, a princesa Eugenie, é diretora da galeria de arte Hauser & Wirth. Zara Tindall, filha da princesa Anne, é uma equestre de sucesso. Seu irmão Peter Phillips trabalhou em gestão esportiva.