Cura do HIV: homem é o quarto paciente curado no mundo

Paciente de 66 anos recebeu transplante de medula óssea e entrou em remissão após viver com a doença desde 1980

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red aids ribbon in hand on green background, AIDS HIV

Um homem americano que não quis ser identificado parece ser o quarto caso de um paciente curado do HIV.

Para tratar leucemia no sangue, e não o vírus da imunodeficiência humana, ele recebeu um transplante de medula óssea de um doador que era naturalmente resistente ao vírus.

A notícia foi divulgada nesta quarta-feira, 27, durante a Conferência Internacional de Aids, que acontece no Canadá.

Conhecido como o paciente da “Cidade da Esperança”, o homem de 66 anos recebeu esse nome devido ao hospital onde foi tratado em Duarte, cidade na Califórnia.

Ano passado, o paciente fez tratamento e recebeu o transplante de medula óssea para substituir as células cancerosas no sangue. Por coincidência, o doador era resistente ao HIV.

“Quando fui diagnosticado com HIV em 1988, como muitos outros, pensei que era uma sentença de morte. Nunca pensei que viveria para ver o dia em que não tivesse mais HIV”, disse o homem em comunicado.

A primeira pessoa curada do HIV foi Timothy Ray Brown, ou o “Paciente de Berlim”, em 2011. Outros três casos aconteceram nos últimos três anos, mas o paciente da Cidade da Esperança é o mais velho e o que vive com a doença há mais tempo — desde a década de 1980.

Qual a relação entre a medula óssea e o HIV?

O vírus do HIV entra nos glóbulos brancos do nosso corpo através da proteína CCR5. Pense nela como um tipo de “porta” microscópica: algumas pessoas têm ela fechada por conta de mutações, como é o caso do doador da medula óssea, o que impede a entrada do HIV.

Portanto, após o transplante da medula óssea, é como se o paciente tivesse trocado sua porta aberta por uma fechada.

Hoje em dia, ele está em remissão há mais de 17 meses, o que significa que os níveis de HIV se tornaram indetectáveis no corpo.

No entanto, o caso não quer dizer que os outros 38 milhões de infectados terão o mesmo resultado. Como o paciente estava tratando a leucemia no sangue, e não o HIV, o procedimento não é indicado para qualquer pessoa — e tem sérios efeitos colaterais.

A terapia genética pode acabar sendo a resposta. Pesquisadores estão procurando formas de “fechar a porta” da proteína CCR5 voluntariamente através desse tipo de tratamento.