Ernesto diz que não comunicou Bolsonaro sobre carta da Pfizer sobre vacina

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Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, assumiu durante o depoimento à CPI da Covid que não comunicou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a carta da farmacêutica Pfizer com propostas de venda da vacina contra a covid-19. O exchanceler afirmou que “presumia” que Bolsonaro já tivesse conhecimento da carta.

Não comuniquei diretamente. A comunicação da embaixada em Washington, o telegrama informava que a embaixada havia recebido uma cópia de uma carta dirigida ao presidente da República, ao vice-presidente, ao ministro chefe da Casa Civil, ao ministro da Economia e ao ministro da Saúde, se não me engano.

O ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten entregou à Comissão Parlamentar de Inquérito um documento da Pfizer atestando uma oferta de vacina em 12 de setembro, que ficou sem resposta.

Em sua defesa, Araújo afirmou que a carta deixava claro que o conteúdo já tinha seguido para o presidente da República. Os questionamentos, feitos pelo vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tentaram compreender por qual motivo o ex-ministro não considerava importante uma carta enviada sobre vacinas “no meio de uma pandemia”. Ao que Ernesto Araújo respondeu:

Eu não era o destinatário da carta – Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores

CEO da Pfizer confirmou envio da carta

O gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, confirmou na última quinta-feira (13), em depoimento à CPI da Covid, que uma carta foi enviada pela farmacêutica ao governo federal em 12 de setembro, assinada pelo CEO global. O documento também foi direcionado ao presidente Jair Bolsonaro.

A carta foi enviada o 12 de setembro, assinada por nosso CEO global, e tinha dirigido o presidente Bolsonaro mais outras autoridades do governo. – Carlos Murillo, gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina

O gestor da farmacêutica também disse que a carta foi enviada com cópia ao vicepresidente, Hamilton Mourão, para o ministro da Casa Civil, general Braga Neto, para o ministro Eduardo Pazuello, para o ministro da Economia Paulo Guedes e para Nestor Foster.

O que eu posso confirmar é que depois de feitas estas ofertas, com data de 12 de setembro, nosso CEO mandou uma comunicação para o governo do Brasil indicando nosso interesse em chegar a um acordo. E que nós tínhamos fornecido para o governo do Brasil as propostas anteriormente mencionadas