Serrana registrou uma morte em toda população imunizada na vacinação em massa

Voluntário apresentou sintomas de Covid-19 antes da segunda dose; resultado final do projeto será apresentado em maio

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Parte dos resultados do projeto de vacinação realizado na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, denominado ‘Projeto S’, foi divulgado neste domingo (11). Do total de 27.150 voluntários imunizados com as duas doses da vacina Coronavac, um morreu em decorrência do novo coronavírus. Isso indica um índice de mortalidade pela pandemia em vacinados de 0,004%.

Quando analisados também os voluntários que tomaram apenas uma dose da vacina, o número de óbitos sobe para seis, ou seja, cinco pessoas morreram após terem tomado apenas uma dose da Coronavac e uma pessoa morreu após ter tomado as duas doses.

No total, Serrana tem pouco mais de 43 mil habitantes, segundo o IBGE. O ‘Porjeto S’, uma parceria do Instituto Butantan e o governo do estado de São Paulo, se propôs a vacinar toda a população adulta do município.

“A vacina foi atacada por muitas pessoas de forma absolutamente injusta, aqui [em Serrana] quase 98% das pessoas aceitaram tomar a vacina. Isso se consegue através de um trabalho em que se unifica a voz da ciência e das autoridades”, afirmou o diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palacios. 

Segundo os dados apresentados neste domingo (11) sobre o ‘Projeto S’, a aceitação geral da população para a vacina foi de 97,7%. Um total de 27,722 foram vacinadas com as duas doses da Coronavac.

“A vacina não apresenta eficácia relevante sem a segunda dose, essa é a importância de tomar as duas doses e foi atingido durante o programa. O engajamento da sociedade foi essencial, um vizinho chamou o outro, o pastou falou às pessoas, os líderes comunitários. A eficácia não é absoluta em casos mais graves, a resposta imune pode não se estabelecer de uma forma perfeita. Não se pode baixar a guarda por completo por estar vacinado”, ressaltou Palácios. 

Segundo o diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, os resultados finais do estudo em Serrana devem ser apresentados em meados de maio. Ele acrescentou ainda que a população da cidade, mesmo os que não foram imunizados, serão monitorados pelo período de um ano.

Frasco com Coronavac, vacina contra Covid-19, em São Paulo

“O acompanhamento da população vai ser feito a partir da primeira dose, estabelecido desde setembro de 2020. A ideia é a cada trimestre fazer um novo corte e fazer um relatório de cada etapa da população da cidade, isso se estenderá até fevereiro de 2022”. 

Aposta ambiciosa

Um total de 54,872 doses de vacinas foram administradas em Serrana, tendo 27.150 voluntários completaram as duas aplicações e 27.722 tomado apenas a primeira dose da Coronavac. 

“Este projeto, extremamente ambicioso, será uma aposta pela possibilidade de sair dessa pandemia, pelo controle por meio da vacinação. Quase 28 mil pessoas decidiram, voluntariamente, nos ajudar com essa aposta, a população de Serrana é a verdadeira protagonista desse projeto”, declarou Palacios. 

O prefeito de Serrana Léo Capitelli (MDB), destacou que o Projeto S é referência no mundo. 

“No momento que todo mundo enfrenta um momento delicado, com a maio pandemia do século, aqui na pequena Serrana, através do Instituto Butantan, nós desenvolvemos um projeto que é referência no mundo, é muito bom e nos enche de orgulho saber que temos uma instituição com tanto ‘know-how’ como o Butantan”.

“Que em pouco tempo possamos retomar a economia, a educação, que possamos ter uma cidade trabalhando com mais tranquilidade. Que este projeto sirva como um exemplo, uma esperança e a contribuição para a ciência. Nossa torcida é que isso aconteça para o mundo todo”, disse a secretária de Saúde de Serrana, Leila Gusmão. 

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