O que aprendi ao levantar da cama às 4h todos os dias

Desde fevereiro de 2018, acordo três horas antes do habitual. E escolhi transformar reclamação em rendimento

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Como você tem começado os seus dias? A pergunta é intencionalmente aberta, possibilitando, portanto, respostas diversas.

A ciência da produtividade demonstra que os rituais que realizamos nas primeiras horas do dia impactam e conduzem a nossa caminhada até a noite. Acontece que, por sermos seres singulares, com funções mentais e corporais singulares, fórmulas e receitas infalíveis inexistem.

Há, contudo, quem insista nelas.

No livro O Milagre da Manhã (Editora Best Seller), por exemplo, o autor norte-americano Hal Elrod propõe diversas atividades que, se praticadas antes das 8h, podem literalmente “transformar a sua vida”. Ele divide o rito por etapas, como silêncio, afirmações positivas, visualização do sucesso, exercícios físicos, leitura e escrita.

Se funciona? Só experimentando. Pelos relatos que se espalham pela rede e sobretudo pela quantidade de livros vendidos mundo afora, certamente, tem o seu valor.

Fato é que a melhor rotina matinal segue sendo aquela que se aplica a você. Isso não impede que haja ajustes ou pequenas mudanças de hábito, afinal, cada um de nós performa melhor em determinado período do dia (ou da noite).

Há exatamente um ano, quando estreei como comentarista na Rádio Globo, minha rotina ganhou uma boa dose de adiantamento: de 7h, passei a acordar às 4h. Como entramos no ar às 6h, as duas horas que precedem o jornal são o tempo que preciso para me preparar, me atualizar e me concentrar para uma rotina que se encerra invariavelmente às 22h30.

Nesses 12 meses, iniciar o meu dia quando parte da cidade ainda se deita tem me ensinado bastante.

Primeiro, conheci um silêncio precioso: em uma casa sempre barulhenta, com duas crianças e um vira-lata, gozar de absoluta ausência de sons vale ouro.

Despertar muito cedo me faz visualizar com clareza as metas do dia e avaliar o que espero dos meus compromissos principais. Ter uma to-do listno celular ajuda bem nesse processo. (De acordo com o Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova York, registrar os pensamentos e sentimentos diminui a ansiedade e reduz o estresse).

Infelizmente, minha rotina matinal não comporta exercícios físicos ou passeios com o cachorro. Mas especialistas são quase unânimes em recomendar de 10 a 15 minutos de atividades para despertar o sistema nervoso, fazer com que o sangue flua, introduzir oxigênio no cérebro e aumentar a produtividade.

Pela manhã, como pouco, normalmente uma fruta (ou duas) e um café. Às 8h20, volto ao café – dessa vez, com um carboidrato. Trabalhar de barriga vazia pode ser contraproducente e terminar em desmaio. Comer a cada três horas evita exageros no almoço e no jantar – exageros esses que dão sono e estorvam o rendimento.

Tenho tentado – e isso é novo para mim – usar cinco minutos da manhã para exercitar a minha respiração e concentração. Não chamo de meditação e nem é uma prática guiada. Apenas me concentro em inspirar e expirar como forma de clarear a mente e afastar alguns maus pensamentos. Como sugerem por aí, a prática “estimula a criatividade, melhora a memória e diminui o estresse e a ansiedade”.

Caso dê certo, eu venho aqui te contar.

Por fim, e não menos importante: procuro evitar pela manhã o flow das redes sociais. Fora consumir minutos valiosos, timelines me desconcentram e me trazem uma angústia desnecessária.

Não se esqueça: bons pensamentos se transformam em palavras, que se transformam em ações, que se transformam em hábitos.