A Unicamp está coordenando um estudo nacional para entender possíveis impactos do coronavírus na gravidez. A ideia é monitorar gestantes que testaram positivo para Covid-19 ou apresentaram sintomas gripais até o parto, coletando amostras de tecidos biológicos e fluídos para identificar onde há presença viral. Uma das perguntas que os cientistas querem responder é sobre a possibilidade de transmissão vertical e, caso ela ocorra, quais riscos oferece aos bebês e às mães.
De acordo com Maria Laura Costa do Nascimento, professora do departamento de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e responsável pela pesquisa, apesar de a gravidez não parecer aumentar o risco de infecção pela Covid-19, há dúvidas sobre uma eventual piora do quadro ou maior gravidade ou mortalidade devido à gestação.
“As principais complicações descritas durante a gestação com infecção por Covid são: parto pré termo, aumento das taxas de cesárea, rotura prematura de membranas e sofrimento fetal”, detalha a pesquisadora.
No Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism), na Unicamp, o grupo monitora 20 gestantes com diagnóstico de Covid-19. Entre elas, seis já tiveram todas as coletas de material biológico, ou seja, já realizaram o parto.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/8/T/3BACm1T3ykdKnT4yY5xg/caism.jpg)
Caism, o Hospital da Mulher da Unicamp, em Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV
No Caism, um dos casos foi de parto prematuro, de 34 semanas, mas tanto a criança quanto a gestante passam bem – a mãe já recebeu alta, inclusive. Em Campinas, entretanto, uma mulher de 30 anos, com diagnóstico positivo para Covid-19, morreu logo após o parto – o caso não ocorreu na Unicamp.
Para avaliar os possíveis impactos da Covid, os pesquisadores farão coletas de dados e exames do diagnóstico da doença até a fase de amamentação.
Para diagnosticar a doença, além da coleta do SWAB, os cientistas fazem a coleta de sangue, urina e fezes da gestante. Depois, durante o parto, são retiradas amostras de placenta, liquido amniótico e sangue do cordão. Posteriormente, são retirados para análise o leite materno e amostras dos bebês.
A proposta integra a Rede Brasileira em estudos do COVID-19 em Obstetrícia (Rebraco), foi apresentada em maio e prevê uma avaliação de dados coletados durante três meses em 17 diferentes centros e maternidades espalhados pelo Brasil.
A coleta de amostras biológicas, devido a especificidade e necessidades técnicas de armazenamento e testagem, com laboratórios de biossegurança para manipulação do vírus, não serão realizados em todos os centros participantes. Em outros, serão feitos questionários para obtenção de informações das gestantes.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/m/3/DcwtDATcyplbLDycK7jw/caism2.png)
Problema no Caism da Unicamp começou na segunda-feira (11) — Foto: Reprodução/EPTV
Centros participantes
- Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti – CAISM/Unicamp, Campinas/SP
- Faculdade de Medicina de Jundiaí – HU/FMJ, Jundiaí, SP
- Hospital Estadual de Sumaré – HES, Sumaré/SP
- Universidade Federal de Pernambuco – HC/UFPE, Recife/PE
- Universidade de São Paulo – USP/Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP
- Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/EPM, São Paulo/SP
- Universidade Federal do Ceará – MEAC/UFC, Fortaleza/CE
- Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre/RS
- Instituto Fernandes Figueira – IFF/Fiocruz, Rio de Janeiro/RJ
- Hospital Moinhos de Vento-HMV, Porto Alegre
- Universidade Federal do Paraná – HC/UFPR – Curitiba/PR
- Hospital UNIMED – UNIMED/BH, Belo Horizonte/MG
- Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR/Santa Casa de São Carlos, São Carlos, SP
- Hospital Regional Jorge Rossmann – Instituto Sócrates Guanaes-Itanhaém, SP
- Universidade Federal de Minas Gerais – HC/UFMG, Belo Horizonte/MG
- Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo – FMB/UNESP, Botucatu/SP
- Maternidade Climério de Oliveira – MCO-UFBA, Salvador/BA




