Blocos de queijo sobre tábua de madeira ilustram estudo que investiga relação entre consumo de queijo e demência
Pesquisa de longo prazo analisa a associação entre consumo de queijo e menor risco de demência, sem comprovar efeito preventivo.

Um estudo internacional reacendeu o debate sobre alimentação e saúde cerebral ao apontar uma associação entre o consumo de queijo com maior teor de gordura e um risco reduzido de demência. A pesquisa, no entanto, faz um alerta importante: não é possível afirmar que comer queijo previna a doença.

O trabalho acompanhou 27.670 adultos na Suécia por cerca de 25 anos e observou o surgimento de diferentes tipos de demência ao longo do tempo. Os resultados foram publicados na revista científica Neurology e conduzidos por pesquisadores da Loughborough University.

O que os pesquisadores analisaram

No início do acompanhamento, os participantes tinham idade média de 58 anos e forneceram informações detalhadas sobre seus hábitos alimentares. Durante o período do estudo, 3.208 pessoas desenvolveram algum tipo de demência.

Os cientistas avaliaram separadamente o consumo de diferentes laticínios, levando em conta o teor de gordura de cada produto. Segundo os dados, quem consumia 50 gramas ou mais por dia de queijo com alto teor de gordura apresentou menor risco de desenvolver demência, em comparação com quem consumia quantidades menores.

Uma associação semelhante foi observada no consumo de creme de leite mais gorduroso. Já outros produtos, como leite, manteiga, laticínios fermentados e versões com baixo teor de gordura, não mostraram relação relevante com o risco da doença.

Tipos de demência e fatores genéticos

A pesquisa também analisou subtipos da doença. O consumo mais elevado de queijo esteve associado a menor risco de demência vascular. No caso da doença de Alzheimer, a associação apareceu apenas entre participantes que não possuíam o gene APOE4, conhecido como um dos principais fatores genéticos de risco para a condição.

Os autores destacam que o estudo é observacional, ou seja, identifica associações estatísticas, mas não estabelece relação de causa e efeito. Além disso, os hábitos alimentares foram registrados apenas no início do acompanhamento, podendo ter mudado ao longo dos anos.

Mesmo após análises adicionais — como a exclusão de participantes que desenvolveram demência nos primeiros anos do estudo — os resultados se mantiveram consistentes.

O que isso significa na prática

Segundo os pesquisadores, os achados indicam que nem todos os laticínios se comportam da mesma forma em relação ao risco de demência e que o teor de gordura pode desempenhar algum papel nessa associação. Ainda assim, os cientistas reforçam que não há evidência suficiente para recomendar o consumo de queijo como estratégia de prevenção da doença.

Especialistas alertam que a saúde do cérebro depende de um conjunto de fatores, como envelhecimento saudável, controle da pressão arterial, níveis adequados de colesterol, prática de exercícios físicos, sono de qualidade, estímulo cognitivo e moderação no consumo de álcool.

Alimentação e saúde cerebral

A demência é uma condição multifatorial, cujo risco aumenta com a idade, mas que também pode surgir na meia-idade. Embora não tenha cura, há tratamentos e estratégias que ajudam a retardar a progressão e reduzir o impacto da doença.

A alimentação equilibrada continua sendo uma aliada importante da saúde geral, mas os pesquisadores ressaltam que nenhum alimento isolado é capaz de proteger o cérebro por si só.