
Adicionar azeite de oliva e pimenta-do-reino às refeições vai muito além de realçar o sabor dos alimentos. Pesquisas recentes mostram que esses ingredientes comuns na cozinha podem desempenhar um papel fundamental na absorção de nutrientes pelo organismo, ajudando o corpo a aproveitar melhor vitaminas e compostos bioativos presentes nos alimentos.
A pimenta-do-reino, cultivada há mais de 3.500 anos e considerada uma das especiarias mais valiosas da Antiguidade, contém substâncias capazes de facilitar a passagem de nutrientes do intestino para a corrente sanguínea. Já o azeite de oliva atua como fonte de gordura essencial para a absorção de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K.
A importância da gordura na absorção de vitaminas
Durante a digestão, os nutrientes precisam ser liberados da chamada “matriz alimentar” — uma estrutura formada por proteínas, carboidratos e fibras que compõem os alimentos. No caso das vitaminas lipossolúveis, esse processo só ocorre de forma eficiente quando há gordura na refeição.
Segundo pesquisadores da área de ciência dos alimentos, quando o organismo digere gorduras como as presentes no azeite, formam-se estruturas microscópicas chamadas micelas, que “encapsulam” as vitaminas e as transportam até as células do intestino, permitindo sua absorção.
Sem essa gordura, muitas vitaminas simplesmente atravessam o trato gastrointestinal e são eliminadas sem serem aproveitadas pelo corpo.
O papel da pimenta-do-reino no processo
A pimenta-do-reino entra como um reforço nesse mecanismo. Estudos indicam que um composto químico presente na especiaria consegue inibir transportadores intestinais que normalmente expulsariam os nutrientes já absorvidos, aumentando assim a quantidade que permanece disponível no organismo.
Esse efeito explica por que combinações tradicionais, como saladas temperadas com azeite e pimenta ou receitas ancestrais como o “leite dourado” indiano — feito com cúrcuma, leite e pimenta-do-reino — continuam sendo eficazes mesmo séculos depois de sua criação.
Evidências científicas e exemplos práticos
Pesquisas conduzidas por universidades nos Estados Unidos e no Canadá demonstraram que refeições ricas em vegetais, quando acompanhadas por molhos à base de azeite, resultam em níveis significativamente maiores de carotenoides no sangue — compostos associados à prevenção de doenças e à saúde celular.
Em testes comparativos, saladas consumidas sem gordura quase não resultaram em absorção desses nutrientes. Já quando o prato incluía pequenas gotículas de gordura, a biodisponibilidade aumentava de forma expressiva.
Além disso, os cientistas observaram que o azeite de oliva apresenta desempenho superior a outros óleos, como o de coco, nesse processo, o que ajuda a explicar os benefícios associados à dieta mediterrânea.
Quando a absorção é um desafio
Pessoas com doenças intestinais, pancreatite crônica, doença celíaca ou problemas hepáticos podem ter dificuldades adicionais para absorver nutrientes. Nesses casos, muitas vezes são recomendados suplementos vitamínicos, embora a absorção desses suplementos nem sempre seja ideal.
Por isso, os pesquisadores destacam que estratégias alimentares simples, como consumir vitaminas junto com refeições que contenham gordura saudável, podem fazer grande diferença na eficácia nutricional da dieta.
Uma lição da ciência e da tradição
Ao analisar esses mecanismos, os cientistas chegaram a uma conclusão curiosa: muitas das soluções estudadas em laboratórios modernos já eram utilizadas por culturas antigas. Combinar especiarias, gorduras e vegetais sempre foi uma prática comum em cozinhas tradicionais — agora, a ciência confirma o motivo.
No dia a dia, a dica é simples: temperar bem os alimentos, escolher gorduras de qualidade e variar os ingredientes pode ajudar o corpo a extrair mais benefícios de cada refeição.



