Após mais de dois séculos fora da paisagem carioca, as araras-canindés voltaram a voar livres no céu do Rio de Janeiro. O retorno das aves, portanto, representa um marco histórico para a conservação ambiental e reforça o avanço de políticas voltadas à restauração da Mata Atlântica.
Dessa vez, a reintrodução ocorreu no Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. No local, três araras — Fernanda, Fátima e Sueli — passaram a circular livremente após um cuidadoso processo de adaptação ao ambiente natural.
Um retorno histórico após séculos de ausência

Durante o período colonial, as araras-canindés, conhecidas cientificamente como Ara ararauna, desapareceram do Rio de Janeiro. Naquele contexto, a caça predatória e o avanço do desmatamento reduziram drasticamente a população da espécie.
Agora, mais de 200 anos depois, o cenário começa a mudar. Com isso, o retorno das aves simboliza não apenas a recuperação da fauna, mas também um novo momento para a preservação ambiental na cidade.
Além disso, especialistas destacam que as araras desempenham um papel fundamental no equilíbrio do ecossistema. Elas ajudam, por exemplo, na dispersão de sementes, o que contribui diretamente para a regeneração da floresta.
Projeto de reintrodução seguiu etapas rigorosas

A iniciativa integra um projeto conduzido pela Refauna, com apoio do ICMBio e de parceiros nacionais e internacionais.
As aves chegaram ao parque em junho de 2025, vindas de um centro de conservação em São Paulo. Desde então, passaram por cerca de sete meses de aclimatação. Nesse período, as equipes priorizaram o preparo físico e comportamental das araras.
Entre as principais etapas do processo, destacam-se:
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Treinamento progressivo de voo
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Fortalecimento muscular
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Adaptação alimentar com frutos nativos
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Redução gradual do contato humano
Enquanto isso, veterinários e biólogos acompanharam de perto a saúde das aves, realizando avaliações sanitárias frequentes.
Monitoramento contínuo garante segurança das aves
Após a soltura, as araras receberam anilhas, microchips e colares de identificação. Dessa forma, os técnicos conseguem acompanhar os deslocamentos e o comportamento das aves em tempo real.
Além do monitoramento técnico, a população também participa do processo. Por meio de registros fotográficos e observações enviadas às equipes ambientais, os dados ajudam a mapear a adaptação das araras ao novo ambiente.
Caso surja qualquer risco à saúde ou à sobrevivência das aves, está prevista a possibilidade de recaptura para manejo adequado. Enquanto isso, uma quarta arara, chamada Selton, segue em observação e aguarda a soltura por estar em período de troca de penas.
Próximos passos do projeto ambiental
O plano prevê a reintrodução gradual de até 50 araras-canindés ao longo dos próximos cinco anos. Assim, o objetivo é consolidar definitivamente o retorno da espécie aos céus do Rio de Janeiro.
Segundo os gestores do parque, a soltura representa mais do que a devolução de uma ave à natureza. Trata-se, portanto, de um símbolo de recuperação ambiental e de reconexão da cidade com sua biodiversidade original.
Por fim, a expectativa é que moradores e visitantes voltem a avistar bandos de araras-canindés sobrevoando a cidade, reforçando a importância da preservação da Mata Atlântica e do investimento contínuo em conservação ambiental.
Fonte: Metrópoles




