Folha de quebra-pedra usada no primeiro remédio fitoterápico do SUS
A planta quebra-pedra dará origem ao primeiro medicamento fitoterápico distribuído pelo SUS.

O Brasil avança na saúde pública e prepara o lançamento do primeiro medicamento fitoterápico do SUS. O remédio será produzido a partir da folha de quebra-pedra e deve estar disponível após a conclusão das etapas técnicas iniciais.

Com essa iniciativa, o país transforma um conhecimento tradicional amplamente difundido em um produto com padrão farmacêutico, controle de qualidade e comprovação científica. Dessa forma, o Sistema Único de Saúde (SUS) amplia o acesso da população a tratamentos seguros e eficazes.

Ciência valida o uso da planta medicinal

O medicamento utiliza a espécie Phyllanthus niruri, conhecida pelo uso popular no auxílio ao tratamento de distúrbios urinários, principalmente cálculos renais. Ao longo dos anos, comunidades tradicionais adotaram a planta como recurso terapêutico. Agora, estudos científicos confirmam sua segurança e eficácia.

Pesquisadores analisaram dados de diferentes regiões do país e, a partir disso, confirmaram que o fitoterápico de quebra-pedra pode integrar o SUS sem riscos graves, desde que siga protocolos rigorosos. Assim, o projeto transforma uma prática tradicional em um medicamento padronizado e controlado.

Parcerias garantem produção segura

Para atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o projeto reúne instituições estratégicas. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) atua em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Farmanguinhos.

Além disso, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima firmou um acordo técnico com a Fiocruz. Com isso, o projeto fortalece a pesquisa científica e impulsiona o desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos a partir da biodiversidade brasileira.

Segundo a secretária nacional de Bioeconomia, Carina Pimenta, a iniciativa reconhece o conhecimento tradicional como tecnologia e integra ciência, território e saúde pública dentro das normas legais.

Investimento fortalece a indústria nacional

O projeto recebeu R$ 2,4 milhões em investimentos. Os recursos financiam a adequação de maquinário, a compra de equipamentos, a aquisição de insumos e a realização de estudos laboratoriais.

O financiamento vem do Fundo Global para o Meio Ambiente, por meio do projeto Fitoterápicos, implementado pelo Pnud e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. Assim, o país fortalece a indústria farmacêutica nacional e incentiva o uso sustentável da flora.

Ação no tratamento de cálculos renais

A pesquisadora Maria Behrens, do Farmanguinhos/Fiocruz, explica que o medicamento atua em diferentes etapas da litíase urinária. Segundo ela, o fitoterápico do SUS age de forma integrada, algo que não existe atualmente no mercado.

Além disso, o processo de produção seguirá protocolos rigorosos. Desde a coleta da matéria-prima até o produto final, todas as etapas passarão por controle técnico e rastreabilidade.

Avaliação da Anvisa e previsão de distribuição

Após a produção dos lotes-piloto, a equipe realizará estudos de estabilidade. Em seguida, o projeto submeterá o medicamento à avaliação da Anvisa, etapa obrigatória antes do registro.

A expectativa é que o fornecimento do remédio fitoterápico do SUS ocorra em até dois anos, após a conclusão das análises regulatórias. Por fim, além de ampliar o acesso da população, a iniciativa deve impulsionar toda a cadeia produtiva, com participação direta de agricultores familiares e detentores de saberes tradicionais.