Carrinho de supermercado simboliza impacto do acordo UE-Mercosul no bolso dos brasileiros
Acordo entre União Europeia e Mercosul deve influenciar preços e consumo no Brasil

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul entra na fase final e já começa a gerar expectativas sobre seus efeitos diretos no dia a dia da população. O acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros, principalmente por meio da redução gradual de tarifas sobre produtos importados e da ampliação do comércio entre os blocos.

Além disso, o tratado envolve um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores, o equivalente a aproximadamente 25% do PIB global, o que reforça seu peso econômico e estratégico.

Mais produtos europeus e possível queda de preços

Uma das mudanças mais perceptíveis deve ocorrer no consumo. Com a redução de tarifas alfandegárias, produtos tradicionais da União Europeia tendem a ganhar espaço no mercado brasileiro. Entre eles estão vinhos, queijos, azeites, chocolates, bebidas destiladas e medicamentos.

Segundo especialistas, essa maior oferta pode provocar queda gradual de preços, sobretudo no médio e no longo prazo. Isso ocorre porque itens hoje fortemente taxados passarão a ter impostos reduzidos ou até zerados.

Carros importados da Europa, por exemplo, atualmente enfrentam tarifas de até 35%, que deverão ser eliminadas em até 15 anos. Como resultado, os veículos europeus tendem a se tornar mais acessíveis ao consumidor brasileiro.

Impacto direto no bolso do consumidor

Do ponto de vista do consumidor final, o acordo tende a ser positivo. A ampliação da concorrência e a redução de custos de importação favorecem preços mais baixos, especialmente em produtos de maior valor agregado.

Embora a redução não seja imediata em todos os setores, alimentos industrializados, bebidas, medicamentos e itens de supermercado devem sentir os efeitos antes de segmentos mais complexos, como o automotivo.

Ainda assim, especialistas alertam que o impacto será progressivo, já que muitos produtos dependem de cadeias globais de produção e logística.

Medicamentos e insumos seguem como destaque

Mesmo antes da conclusão do acordo, medicamentos e produtos farmacêuticos já figuram entre os principais itens importados da União Europeia, representando mais de 8% das compras brasileiras no bloco.

Com a redução de tarifas, esses produtos podem se tornar mais competitivos, beneficiando tanto consumidores quanto o setor de saúde, incluindo medicamentos de uso veterinário.

Efeitos na indústria e no agronegócio

O impacto do acordo não se limita aos bens de consumo. A indústria e o agronegócio brasileiros também devem sentir os efeitos, especialmente por meio do acesso a tecnologias europeias mais baratas.

Máquinas, equipamentos, fertilizantes, drones agrícolas e sistemas de agricultura de precisão tendem a ficar mais acessíveis, o que pode reduzir custos de produção e estimular investimentos em modernização.

Além disso, o tratado amplia o acesso do Brasil ao mercado europeu para produtos como calçados, frutas, carnes e itens agrícolas com maior valor agregado.

Exportações podem afetar preços internos?

Uma dúvida recorrente é se o aumento das exportações pode encarecer produtos no mercado interno. Especialistas avaliam que esse risco existe, mas é limitado.

Mesmo com maior volume exportado, o impacto sobre a inflação tende a ser pequeno, já que os setores produtivos conseguem direcionar parte da produção a mercados alternativos. Dessa forma, o efeito sobre o bolso dos brasileiros deve ser mínimo no curto prazo.

Brasil deve ser o maior beneficiado

Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o Brasil deve ser o país mais beneficiado pelo acordo UE-Mercosul. Até 2040, o tratado pode elevar o PIB nacional em cerca de 0,46%, percentual superior ao projetado para outros países do bloco.

Além disso, o acordo cria uma rede comercial avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar as exportações brasileiras em bilhões de reais nos próximos anos.

O que muda para o consumidor

Em resumo, o acordo UE-Mercosul afeta o bolso dos brasileiros de forma gradual, com tendência de:

  • maior variedade de produtos importados;

  • redução de preços no médio e longo prazo;

  • acesso facilitado a tecnologias e insumos;

  • estímulo à competitividade da indústria nacional.

Embora os efeitos não sejam imediatos em todos os setores, o tratado representa uma mudança estrutural importante na relação comercial do Brasil com a Europa.