
A União Europeia aprovou, nesta quinta-feira (9), a assinatura do acordo comercial com o Mercosul. A decisão representa um avanço relevante na integração econômica entre os dois blocos e pode gerar impactos diretos no comércio internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a aprovação por meio das redes sociais. Segundo ela, a medida recebeu apoio da maioria dos países-membros da União Europeia.
Países europeus dão aval ao acordo com ampla maioria
O Conselho da União Europeia aprovou o acordo UE-Mercosul após alcançar o número mínimo exigido pelas regras do bloco. Ao todo, pelo menos 15 dos 27 Estados-membros votaram favoravelmente, representando mais de 65% da população europeia.
Apesar disso, alguns países se posicionaram contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Entre eles estão Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia. O ministro da Agricultura polonês, Stefan Krajewski, confirmou os votos contrários em publicação nas redes sociais.
Assinatura formal deve ocorrer no Paraguai
Com a aprovação política concluída, a Comissão Europeia deve avançar para a etapa de assinatura formal do acordo comercial UE-Mercosul. Ursula von der Leyen deve viajar ao Paraguai já na próxima semana para oficializar o compromisso com os países do Mercosul.
Atualmente, o Paraguai ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. Ainda assim, o acordo UE-Mercosul só entrará em vigor após a ratificação do Parlamento Europeu, etapa considerada decisiva.
Acordo cria mercado trilionário e amplia exportações do Brasil
No Brasil, autoridades e representantes do setor produtivo comemoraram a decisão. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) avalia que o acordo comercial União Europeia Mercosul cria um mercado estimado em US$ 22 trilhões, com mais de 700 milhões de consumidores.
Além disso, a agência projeta aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para a União Europeia. Atualmente, mais de um terço das vendas do Brasil ao bloco europeu envolve produtos industrializados.
Setores industriais e estratégicos devem liderar ganhos
O acordo UE-Mercosul prevê a redução imediata de tarifas para máquinas, equipamentos de transporte, motores, geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Esses setores têm papel estratégico na inserção internacional da indústria brasileira.
Ao mesmo tempo, outros segmentos, como couro, peles, produtos químicos e algumas commodities, devem se beneficiar de cortes tarifários graduais previstos no acordo comercial com o Mercosul.
Comissão Europeia destaca papel do Brasil nas negociações
A presidente da Comissão Europeia também ressaltou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil presidiu o Mercosul, entre julho e dezembro de 2025.
Segundo Ursula von der Leyen, a liderança brasileira contribuiu para fortalecer o diálogo entre os blocos. Para ela, o acordo comercial União Europeia Mercosul surge em um momento de instabilidade global e reforça a Europa como parceira econômica confiável.



