Idoso brasileiro representando estudo da USP sobre brasileiros que vivem mais de 110 anos
Pesquisa da USP aponta que a genética pode explicar por que alguns brasileiros vivem mais de 110 anos

Viver mais de um século com autonomia sempre foi associado a dietas rigorosas e rotinas saudáveis. No entanto, um novo estudo da USP aponta outro caminho. Segundo os pesquisadores, o fator decisivo pode estar no DNA, e não apenas no estilo de vida.

A pesquisa analisou brasileiros que vivem mais de 110 anos, incluindo supercentenários brasileiros que chegaram a essa idade com lucidez e independência. A partir disso, os cientistas passaram a questionar conceitos tradicionais sobre envelhecimento humano.

Diversidade genética brasileira chama atenção da ciência

Mais de um século de vida com autonomia pode ter menos relação com hábitos perfeitos e mais com a herança genética.

O estudo destaca que o Brasil possui uma das populações mais geneticamente diversas do mundo. Essa miscigenação reúne povos indígenas, europeus, africanos e imigrações posteriores. Como resultado, surgiram combinações genéticas raras.

Segundo os pesquisadores, essas variações funcionam como proteção natural contra doenças associadas ao envelhecimento. Assim, alguns indivíduos atravessam mais de um século mantendo longevidade extrema, força muscular e autonomia.

Supercentenários desafiam padrões conhecidos

Um dos achados mais relevantes está no perfil dos supercentenários brasileiros. Eles não compartilham hábitos padronizados. Vieram de regiões diferentes e contextos sociais distintos.

Além disso, muitos não tiveram acesso regular à medicina moderna. Mesmo assim, chegaram a idades extremas com qualidade de vida. Portanto, os dados reforçam que a genética da população brasileira exerce papel central nesse processo.

Genes ligados à imunidade e ao envelhecimento saudável

A análise genética identificou variantes raras associadas ao sistema imunológico, à preservação cognitiva e à função muscular. Essas variantes ajudam o organismo a resistir melhor ao tempo. Com isso, reduzem o impacto de doenças crônicas.

Até agora, os cientistas já mapearam mais de 160 variações genéticas com potencial efeito protetor. Muitas delas são pouco comuns em populações mais homogêneas de outros países.

Impacto para a medicina e o futuro do envelhecimento

Os resultados abrem caminho para avanços na medicina preventiva. A partir desse conhecimento, será possível desenvolver estratégias para ajudar mais pessoas a envelhecer melhor.

Por fim, os pesquisadores afirmam que os supercentenários brasileiros funcionam como um verdadeiro manual vivo. Eles mostram que viver mais de 110 anos vai além de sobreviver. Trata-se, sobretudo, de viver com qualidade.

Fonte: UOL