A Polícia Federal conduz a investigação do caso Master, que envolve denúncias sobre a contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central em favor do Banco Master, instituição financeira que entrou em liquidação extrajudicial e responde a apurações por suspeita de fraude bilionária.
Atualmente, a Diretoria de Inteligência da PF elabora uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ). Com esse material, a corporação deverá decidir se abre um inquérito policial formal para aprofundar as apurações.
Influenciadores relatam abordagens feitas no fim de 2025
Segundo os relatos, influenciadores digitais receberam abordagens de empresas de marketing digital no fim de 2025. As propostas teriam como objetivo impulsionar conteúdos que questionavam a atuação do Banco Central no processo de liquidação do Banco Master.
Entre os denunciantes estão o vereador Rony Gabriel, de Erechim (RS), e a jornalista Juliana Moreira Leite, ambos com grande alcance nas redes sociais. Eles afirmam que recusaram as propostas, mas decidiram relatar os contatos por considerarem o movimento suspeito.
Propostas envolviam gestão de crise e cláusulas de sigilo
De acordo com Rony Gabriel, a abordagem previa serviços de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo. Além disso, a empresa exigia a assinatura de um contrato de confidencialidade, com multa de até R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo.
Documentos analisados indicam que o projeto recebeu internamente o nome de “Projeto DV”. Para o vereador, a sigla faria referência ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora a proposta previsse valores elevados, ele afirma que não chegou a negociar cifras.
Estratégia buscava questionar decisão do Banco Central
Ainda segundo os influenciadores, a estratégia pretendia sustentar a narrativa de que o Banco Master teria sido vítima de uma decisão precipitada do Banco Central. Para isso, os contratantes sugeriam a disseminação coordenada de matérias e postagens críticas ao processo de liquidação.
Juliana Moreira Leite relatou ter recebido proposta semelhante de outra empresa do setor. Em mensagens de áudio e texto, o representante afirmou que o cliente precisava divulgar conteúdos no campo político e financeiro para ampliar o alcance das publicações. A jornalista recusou a proposta, mas relatou ter observado postagens semelhantes circulando nas redes sociais nos dias seguintes.
Agências negam vínculo direto com o Banco Master
Após a repercussão das denúncias, as empresas citadas afirmaram que não mantêm vínculo direto com o Banco Master. Uma das agências declarou que apenas indicou perfis, sem firmar contratos com influenciadores para esse tipo de ação.
Enquanto isso, o Banco Central e o Banco Master foram procurados para comentar o assunto. Até a publicação desta reportagem, no entanto, nenhuma das instituições havia se manifestado.
Febraban identificou aumento atípico de menções
Em nota, a Febraban informou que identificou, no fim de dezembro, um aumento atípico no volume de menções relacionadas à entidade e a seus representantes nas redes sociais. As publicações surgiram no contexto do noticiário sobre a liquidação de uma instituição financeira.
Segundo a federação, a equipe técnica avalia se o movimento pode caracterizar um ataque coordenado. Ainda assim, a entidade destacou que houve redução significativa no volume de menções nos últimos dias e que os levantamentos têm uso interno.
Próximos passos da apuração
Com a conclusão da IPJ, a Polícia Federal deverá decidir se abre um inquérito policial para aprofundar a investigação do caso Master. Caso avance, a apuração poderá identificar responsáveis e apurar eventuais crimes ligados à manipulação de informação e ao uso irregular de campanhas digitais para influenciar decisões institucionais.
Por enquanto, a investigação do caso Master segue em andamento e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.
Fonte: CNN Brasil




