
O acordo Brasil EUA contra crime organizado entrou na pauta do governo brasileiro durante as negociações com Washington em meio à crise política e de segurança na Venezuela. O objetivo é ampliar a cooperação internacional para combater facções criminosas, lavagem de dinheiro e tráfico internacional. Ao mesmo tempo, o Planalto defende colaboração institucional, sem intervenção externa na América do Sul.
Neste momento, as tratativas ainda estão em fase inicial. Mesmo assim, já há troca de documentos e definição de pontos estratégicos. As reuniões bilaterais formais devem ocorrer em uma etapa posterior.
Foco brasileiro está na lavagem de dinheiro
De acordo com integrantes do Ministério da Justiça, o interesse do Brasil se concentra em dois eixos principais. O primeiro é o combate à lavagem de dinheiro. O segundo envolve a recuperação de ativos no exterior.
Nos últimos anos, investigações da Polícia Federal e da Receita Federal identificaram que facções criminosas brasileiras utilizam os Estados Unidos para ocultar recursos ilícitos. Em seguida, esses valores retornam ao Brasil como investimentos ou permanecem no exterior para sustentar atividades ilegais.
Por isso, o governo brasileiro busca ampliar a troca de informações financeiras. Além disso, pretende facilitar a localização de recursos, a repatriação de valores e a prisão de suspeitos fora do país.
Interesses dos EUA envolvem drogas e armas
Do lado americano, o foco é diferente, mas complementar. Os Estados Unidos querem impedir a expansão de facções latino-americanas em seu território. Além disso, buscam conter o tráfico internacional de drogas e armas.
Esses objetivos aparecem de forma clara na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. O documento defende maior estabilidade política no Hemisfério Ocidental. Segundo Washington, isso reduziria fluxos migratórios e fortaleceria governos aliados.
Nesse contexto, o governo americano pressiona parceiros a classificar facções criminosas como organizações terroristas. Essa medida amplia o alcance da atuação internacional dos EUA.
Lula e Trump trataram do tema
O presidente Lula conversou por telefone com o presidente Donald Trump sobre o acordo em dezembro. Na ocasião, Lula defendeu uma atuação baseada em cooperação institucional.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro reforçou que não aceita intervenções militares na região. Essa posição ganhou peso após ações recentes dos EUA ligadas à Venezuela e discursos mais duros contra o governo de Nicolás Maduro.
Forças Armadas adotam postura cautelosa
A cautela brasileira ficou evidente em episódios recentes. Em 2025, o então comandante do Comando Sul dos EUA solicitou visitar uma base do Exército em Rio Branco, no Acre. O objetivo seria conhecer operações na fronteira com Peru e Bolívia.
No entanto, a cúpula militar brasileira recusou o pedido. Em alternativa, ofereceu uma visita ao Comando Militar da Amazônia, em Manaus. Mesmo assim, a proposta não avançou.
Para autoridades brasileiras, o episódio reforçou a necessidade de limites claros na cooperação militar. A prioridade, portanto, é evitar presença operacional estrangeira em áreas sensíveis.
Acordo pode equilibrar interesses
Dentro do governo e das Forças Armadas, a avaliação é pragmática. Um acordo formal pode reduzir pressões externas. Além disso, pode organizar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Ao mesmo tempo, o Brasil busca preservar sua soberania e evitar novos focos de instabilidade na América do Sul. Por isso, a negociação exige cautela diplomática e alinhamento político.
Cenário segue em construção
O avanço do acordo dependerá da consolidação dos interesses comuns. Também dependerá da capacidade de manter o diálogo sem rupturas. Enquanto isso, o Brasil aposta na diplomacia para enfrentar o crime organizado em um cenário regional cada vez mais sensível.
Fonte: SBT NEWS



