
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou a aliados que avalia deixar o cargo até sexta-feira (9). A informação circula entre interlocutores do Palácio do Planalto e pessoas próximas ao ministro, que descrevem a saída como iminente.
Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ganhar tempo para definir um substituto para o comando da pasta. Ainda assim, fontes do governo afirmam que a decisão já está consolidada e dificilmente sofrerá mudança.
Bastidores indicam saída iminente
Lewandowski pretende se reunir com Lula ainda nesta semana, logo após o retorno do presidente do recesso na Restinga da Marambaia. Enquanto isso, nos bastidores do Ministério da Justiça, servidores relatam que o clima é de despedida. Além disso, informações internas indicam que o gabinete do ministro já passa por esvaziamento.
Ao contrário de outros ministros que deixam a Esplanada no início do ano para disputar eleições, Lewandowski não planeja concorrer a cargos públicos. Segundo aliados, ele tomou a decisão por motivos pessoais e pelo cansaço após meses de desgaste interno.
Esvaziamento político aumenta insatisfação
Além do desgaste cotidiano, aliados avaliam que a pasta perdeu força política. Isso ocorreu, sobretudo, após declarações de Lula sobre a possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública. Atualmente, a área de segurança permanece sob a estrutura da Justiça.
Caso o governo avance com a mudança, o ministério deve perder atribuições estratégicas. Por isso, a insatisfação interna aumentou. Nesse contexto, parte dos secretários da pasta também avalia deixar o governo.
PEC da Segurança Pública fica sem desfecho
Se a saída se confirmar, Lewandowski deixará o cargo antes da aprovação da PEC da Segurança Pública, considerada sua principal bandeira no governo. A proposta enfrentou resistência dentro do Executivo e no Congresso. Além disso, embates com a Casa Civil atrasaram a tramitação, o que empurrou a votação para 2026.
Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça no início de 2024, após a saída de Flávio Dino, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. Desde então, o ministro manteve um perfil técnico. No entanto, aliados do governo passaram a criticá-lo após grandes operações de segurança, como a ação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho.
No Planalto, integrantes do PT reconhecem que a segurança pública ocupará papel central no debate eleitoral. Por esse motivo, o governo avalia mudanças na estrutura da área para responder à pressão política e ao avanço do tema no discurso da oposição.
Fonte: SBT News



