
Quinze anos após o desastre de Fukushima, o Japão decidiu avançar na retomada da energia nuclear. O governo autorizou a reativação da usina de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo em capacidade instalada. A medida ocorre enquanto o país busca reduzir custos e diversificar sua matriz energética.
A decisão foi aprovada pela assembleia da província de Niigata. Com isso, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) poderá reiniciar, inicialmente, um dos sete reatores da usina. Segundo a emissora pública NHK, o reator número 6 deve voltar a operar a partir de janeiro.
Retomada ocorre após trauma nuclear histórico
Desde o terremoto e tsunami de 2011, o Japão adotou uma postura cautelosa em relação à energia nuclear. Naquele ano, o acidente em Fukushima Daiichi provocou o pior desastre nuclear desde Chernobyl. Como resultado, todas as usinas nucleares do país foram desligadas.
Com o passar dos anos, o governo autorizou a retomada gradual de parte dos reatores. Atualmente, 14 dos 33 considerados operacionais estão em funcionamento. Ainda assim, a usina de Kashiwazaki-Kariwa permanecia inativa desde então.
Agora, a retomada marca a primeira reabertura sob operação direta da TEPCO após Fukushima. Por isso, o processo ganhou atenção nacional e internacional.
Custos elevados pressionam política energética
Antes de 2011, a energia nuclear respondia por cerca de 30% da eletricidade japonesa. No entanto, com o fechamento das usinas, o país ampliou a dependência de carvão e gás natural importados.
Atualmente, entre 60% e 70% da geração de energia do Japão vem de combustíveis fósseis. Como consequência, os custos aumentaram de forma significativa. Somente no último ano, o país gastou cerca de 10,7 trilhões de ienes com importações.
Além disso, o Japão figura entre os maiores emissores de dióxido de carbono do mundo. Diante desse cenário, o governo reafirmou o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
Governo defende segurança e metas climáticas
A primeira-ministra Sanae Takaichi é uma defensora da energia nuclear. Segundo o governo, a retomada é essencial para conter a inflação, garantir estabilidade energética e reduzir a dependência externa.
Ao mesmo tempo, a demanda por eletricidade deve crescer nos próximos anos. Isso ocorre, sobretudo, pela expansão de data centers e da infraestrutura ligada à inteligência artificial.
Para cumprir metas climáticas e econômicas, o Japão pretende dobrar a participação da energia nuclear. A expectativa é que a fonte represente cerca de 20% da matriz elétrica até 2040, em conjunto com fontes renováveis.
População ainda demonstra receio
Apesar das garantias oficiais, parte da população segue desconfiada. Pesquisas indicam que muitos moradores de Niigata não acreditam que todas as condições de segurança foram plenamente atendidas.
Além disso, quase 70% dos entrevistados demonstraram preocupação com a atuação da TEPCO. Para tentar reduzir a resistência, a empresa afirma ter implementado novos sistemas de proteção, contenção e resposta a emergências.
Mesmo assim, a memória do desastre de Fukushima permanece viva. Muitos moradores relatam traumas psicológicos e temem a repetição de um acidente nuclear.
Decisão estratégica sob vigilância
A reativação da maior usina nuclear do mundo representa uma mudança relevante na política energética japonesa. Ao mesmo tempo, o governo enfrenta o desafio de reconstruir a confiança da população.
Por isso, autoridades garantem que o processo seguirá sob rigorosa fiscalização. A retomada será gradual e acompanhada de perto por órgãos reguladores, especialistas e pela sociedade civil.
Fonte: CNN Brasil



