
Guaporé: Ciclo de vida em risco
“Neste vídeo, mostramos imagens impressionantes da natureza amazônica e refletimos sobre o impacto ambiental que ameaça a reprodução de uma das espécies mais simbólicas da região.”
Desova atrasada preocupa ambientalistas
O Vale do Guaporé, localizado na fronteira entre Rondônia e Bolívia, está em estado de alerta. A região, considerada o maior berçário de tartarugas de água doce do Brasil, enfrenta impactos severos causados por mudanças climáticas, queimadas ilegais e caça predatória. A espécie Podocnemis expansa, a maior tartaruga de água doce da América do Sul, está entre as mais afetadas.

De acordo com especialistas, as tartarugas estão atrasando a desova por causa das condições ambientais desfavoráveis. Isso ocorre porque fatores como chuvas fora de época, fumaça de queimadas e a subida precoce do nível do rio Guaporé impedem que as praias fiquem expostas, comprometendo o ciclo reprodutivo desses animais.
Queda drástica na taxa de sobrevivência

Em 2023, mais de 1,4 milhão de filhotes nasceram. No entanto, em 2024, o número caiu drasticamente para 350 mil sobreviventes. Isso se deve à inundação dos ninhos e à baixa exposição solar — que é essencial para a termorregulação dos ovos. Além disso, a previsão para 2025 continua negativa.
“Talvez o ciclo natural das tartarugas leve anos para se restabelecer, ou nem volte ao normal”, alertou o biólogo Deyvid Muller.
O nascimento tardio dos filhotes pode coincidir com a cheia do rio, o que aumenta o risco de morte em massa. Embora a ajuda de voluntários possa amenizar o impacto, não é suficiente para reverter a situação.
Esforços locais tentam salvar os filhotes
A Associação Ecovale, em parceria com o Ibama e diversos voluntários, atua no resgate dos filhotes durante os períodos críticos. Com isso, o objetivo é aumentar a taxa de sobrevivência.
“Nossa ideia é proteger os ninhos e evitar que sejam levados pelas águas”, explicou José Soares Neto, o “Zeca Lula”, fundador da Ecovale.
Além disso, vale destacar que as tartarugas levam cerca de 30 anos para atingir a idade adulta, o que torna o impacto de um único ano muito mais duradouro.
Clima instável e queimadas interferem no ciclo natural

De acordo com o Ibama, o tabuleiro de desova do Rio Guaporé é o maior do país. O órgão informa que o aumento das chuvas e a redução da luz solar afetam diretamente o comportamento reprodutivo das tartarugas.
“Sem exposição solar, os ovos não conseguem incubar corretamente”, disse Áquilas Mascarenhas, do Programa Quelônios da Amazônia (PQA).
É importante entender que as tartarugas, por serem ectotérmicas, dependem da temperatura do ambiente para regular o próprio corpo. Quando o clima não colabora, elas simplesmente não desovam.
Fiscalização e educação ambiental são contínuas

A Secretaria de Meio Ambiente de Rondônia (Sedam) informou que realiza ações educativas em comunidades ribeirinhas e promove campanhas contra caça e queimadas. Além disso, a Polícia Ambiental e o Exército Brasileiro atuam na fiscalização das margens do rio.
“A fiscalização ocorre o ano inteiro. O tipo de crime muda com as estações, mas nosso trabalho é contínuo”, destacou Marco Antônio Lagos, titular da Sedam.
Adicionalmente, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Rondônia, presidida pelo deputado Ismael Crispin (MDB), acompanha de perto a situação.
“A reprodução das tartarugas está em risco. Precisamos de uma resposta rápida das autoridades”, afirmou Crispin.
Amazônia em alerta: o tempo das tartarugas está se esgotando

O Vale do Guaporé, símbolo da biodiversidade amazônica, vive uma crise ambiental que coloca em xeque a sobrevivência de milhares de tartarugas. Por isso, a união entre poder público, voluntários e comunidades locais será fundamental para evitar um colapso ecológico na região.
Fonte: Alero



