
Corrida global pelo lítio coloca Jequitinhonha no centro das atenções

O Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, está no centro de uma transformação econômica. Com mais de R$ 5 bilhões em investimentos previstos até 2029, a região se tornou a maior reserva brasileira de lítio — parte da reserva mundial de lítio e mineral estratégico na transição energética global. A mudança vem impactando diretamente a vida nos 14 municípios da região.
Maior concentração de lítio do Brasil está em Minas

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Vale do Jequitinhonha concentra 45 dos 53 depósitos de lítio registrados no país. Vale destacar que isso representa cerca de 85% de todas as reservas brasileiras, proporcionando ao Brasil importância dentro da reserva mundial de lítio. Desde o decreto federal de 2022, que liberou a exportação do minério, o interesse de grandes empresas cresceu rapidamente.
Gigantes da mineração avançam com novos projetos
A presença de multinacionais como Sigma Lithium, Companhia Brasileira de Lítio (CBL), AMG e Atlas Lithium reforça o potencial do Vale, que já abrange grande parte da reserva mundial de lítio. Algumas delas já estão em operação, enquanto outras avançam nas fases de licenciamento e implantação de infraestrutura.
Investimentos bilionários e geração de empregos em alta

Entre 2025 e 2029, o volume de recursos ultrapassará os R$ 5 bilhões. Com isso, estima-se a criação de até 14 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, os municípios registraram alta expressiva na arrecadação de tributos: 39,4% no ISS e 12% no ICMS, beneficiados pela proximidade com a reserva lítio mundial.
Desenvolvimento vem acompanhado de desafios sociais

Por outro lado, o crescimento acelerado tem pressionado a infraestrutura das cidades. Em Araçuaí, por exemplo, a demanda hospitalar aumentou mais de 30% no último ano. Enquanto isso, o custo dos aluguéis disparou e a oferta de serviços públicos não acompanhou o ritmo da reserva mundial de lítio.
Formação técnica busca suprir nova demanda por mão de obra
Em resposta à chegada das mineradoras, instituições como o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) ampliaram cursos técnicos voltados à mineração, eletromecânica e automação industrial. A expectativa é preparar profissionais locais para ocupar as novas vagas devido ao desenvolvimento da reserva de lítio mundial.
Brasil ainda exporta lítio in natura e perde valor agregado
Apesar dos avanços, o Brasil ainda exporta quase todo o lítio em estado bruto. Especialistas defendem a criação de polos industriais na própria região, o que aumentaria o valor agregado do produto e geraria ainda mais empregos qualificados, aproveitando a proximidade de uma reserva mundial.
Próximos passos envolvem regulação e sustentabilidade

Em contrapartida aos lucros gerados, a sustentabilidade dos projetos e o respeito às comunidades tradicionais permanecem como pontos de atenção. O governo federal planeja fortalecer a “Rota do Lítio” e incentivar boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), dentro do contexto de uma reserva mundial de lítio.



