Abin Paralela: PF indicia Bolsonaro, Ramagem e Carlos Bolsonaro - TVDOPOVO.COM
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segunda-feira , 7 julho, 2025
Espionagem política na Abin envolveu software e monitoramento ilegal
Espionagem política na Abin envolveu software e monitoramento ilegal

PF conclui inquérito sobre espionagem política na Abin

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a chamada “Abin Paralela” e encaminhou o relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação revelou que um grupo coordenado por Jair Bolsonaro e seus aliados estruturou uma rede ilegal de monitoramento dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Bolsonaro, Ramagem e Carlos usaram software para rastrear opositores

De acordo com o relatório, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), o vereador Carlos Bolsonaro e o atual diretor Luiz Fernando Corrêa atuaram diretamente no esquema. A PF também responsabilizou outras 31 pessoas.

A espionagem ocorreu entre 2019 e 2021, período em que Ramagem comandava a agência. Para monitorar adversários políticos, o grupo utilizava o software israelense First Mile, que rastreia a localização de pessoas por meio de torres de telecomunicações.

Grupo organizou operação paralela em núcleos estruturados

A PF identificou ao menos cinco núcleos operacionais. O núcleo político, liderado por Carlos Bolsonaro, articulava informações com Ramagem por meio de assessoras como Luciana Almeida e Priscilla Pereira. As mensagens obtidas mostram que Luciana pediu acesso a inquéritos sigilosos que envolviam a família Bolsonaro.

PF aponta tentativa de interferência em investigações

Além disso, Ramagem teria atendido pedidos de Carlos para mapear inquéritos eleitorais contra adversários do vereador no Rio de Janeiro. Com isso, o grupo tentava interferir diretamente no trabalho da PF.

Cúpula da Abin tentou legalizar ações ilegais

O núcleo da Alta Gestão, composto por Ramagem e servidores de confiança, buscava conferir aparência de legalidade às ações. Os investigadores concluíram que a direção da Abin tinha total conhecimento do uso indevido das ferramentas.

Relatório vincula uso da Abin à defesa dos filhos de Bolsonaro

O grupo também utilizou a estrutura para interferir em investigações que envolviam os filhos do ex-presidente. Entre as ações, produziu provas favoráveis a Renan Bolsonaro e relatórios para ajudar na defesa do senador Flávio Bolsonaro.

Outro núcleo tentou ligar ministros do STF ao PCC

O núcleo apelidado de Portaria 157 atuava para associar ministros do STF e parlamentares ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo usou o First Mile para monitorar o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a deputada Joice Hasselmann.

Servidor operava sistema de espionagem

Por fim, o núcleo Tratamento Log identificou um servidor que operava o software, inserindo os números de telefone a serem monitorados. Essa função técnica era essencial para viabilizar o esquema.