Solução pode revolucionar transfusões, reduzir escassez global e dispensar testes de compatibilidade
O Japão se prepara para um avanço científico histórico. Ainda em 2025, o país vai iniciar testes com sangue artificial compatível com todos os tipos sanguíneos. A inovação pode ajudar hospitais de todo o mundo a superar a escassez de sangue para transfusões.
Universidade japonesa lidera testes com sangue artificial
A Universidade Médica de Nara coordena os testes. A pesquisa se baseia em um estudo anterior, realizado em 2022, que comprovou a segurança das chamadas “vesículas de hemoglobina”. Essas estruturas imitam a função dos glóbulos vermelhos e transportam oxigênio com eficiência. A revista Transfusion publicou os resultados, amplamente divulgados pela NewsWeek.
Os testes em coelhos indicaram que o sangue sintético pode funcionar como o sangue humano. Além disso, os animais não apresentaram efeitos colaterais graves.
Compatibilidade total e longa validade são diferenciais da inovação
O maior diferencial do sangue artificial é a compatibilidade universal. Em emergências, médicos poderão aplicar transfusões sem realizar testes de tipagem. Isso acelera o atendimento e salva vidas em situações críticas.
Outro benefício é a conservação. Enquanto o sangue humano precisa de refrigeração e tem validade curta, o sangue sintético pode ser armazenado à temperatura ambiente por mais de um ano. Por isso, ele se torna ideal para regiões isoladas, zonas de conflito e áreas atingidas por desastres naturais.
Próxima fase envolverá testes com voluntários
Nos próximos meses, pesquisadores usarão de 100 a 400 mililitros de sangue sintético em voluntários. O objetivo é confirmar sua eficácia e segurança em humanos. Se os resultados forem positivos, a expectativa é liberar o uso clínico até 2030.
Produção não depende de doadores e garante estoque estável
A tecnologia desenvolvida pelos cientistas japoneses utiliza hemoglobina de bolsas de sangue vencidas. Com isso, é possível empacotar a proteína em cápsulas protetoras, eliminando a necessidade de compatibilidade entre doador e receptor.
Além desse método, outra técnica usa albuminas para encapsular a hemoglobina. Essa abordagem já apresentou bons resultados em testes com animais, mostrando capacidade de manter a pressão arterial e auxiliar no tratamento de hemorragias e derrames.
Escassez de sangue é um problema global
A falta de sangue afeta países ricos e pobres. Em nações desenvolvidas, mesmo com campanhas constantes, os estoques ainda são insuficientes, principalmente para tipos sanguíneos raros. Já em países de baixa renda, menos da metade da demanda é atendida.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 106 dos 175 países analisados dependem da importação de produtos derivados do sangue, como imunoglobulinas e fatores de coagulação. Esse cenário compromete o tratamento de diversas doenças graves.
Pesquisadores apostam no sangue artificial para transformar a medicina
O professor Hiromi Sakai, responsável pelo projeto na Universidade Médica de Nara, acredita que a nova tecnologia pode revolucionar a medicina. Com o sangue artificial, os hospitais poderiam manter estoques estáveis e independentes das doações.
Até 2030, o Japão espera aprovar o uso hospitalar do produto. Se isso acontecer, a ciência alcançará uma conquista sem precedentes, capaz de salvar milhões de vidas e oferecer esperança onde antes havia escassez.




