
Seis anos após o início da pandemia, a Covid-19 continua em circulação e ainda exige atenção das autoridades de saúde. O alerta foi feito pela diretora técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, que avaliou os avanços e desafios enfrentados desde 2020.
Apesar da queda expressiva de casos graves e mortes, a epidemiologista reforça que o vírus não foi eliminado. Pelo contrário, ele segue circulando globalmente, com capacidade de sofrer mutações, causar reinfecções e provocar quadros graves, inclusive a chamada Covid longa.
Emergência global deu lugar à vigilância permanente
Em janeiro de 2020, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto nível de alerta sanitário. Naquele momento, o coronavírus já apresentava transmissão entre humanos em vários países, incluindo China, Alemanha, Japão e Estados Unidos.
Desde então, o mundo enfrentou lockdowns, fechamento de fronteiras e sobrecarga dos sistemas de saúde. No entanto, ao mesmo tempo, o desenvolvimento rápido de vacinas e tratamentos permitiu a reabertura das economias e a redução significativa da mortalidade.
Segundo Maria Van Kerkhove, os anos de 2020 e 2021 foram marcados pela resposta emergencial. Em seguida, 2022 e 2023 representaram um período de transição. Já 2024 e 2025 consolidaram a fase de vigilância e preparação. Para 2026, a OMS reforça: não é hora de relaxar.
OMS responde a críticas e promove mudanças
Durante a pandemia, a OMS enfrentou críticas sobre a velocidade das decisões. No entanto, a diretora técnica explica que as medidas sempre se basearam nas informações disponíveis em cada momento.
Como resultado desse processo, a organização revisou protocolos, fortaleceu o Regulamento Sanitário Internacional e avançou na construção do Acordo de Pandemia. Segundo ela, o aprendizado coletivo permitiu corrigir falhas e aprimorar os sistemas de resposta global.
“Os sistemas evoluem porque aprendemos com os erros”, destacou.
Desigualdade e desinformação agravaram a crise
Além dos impactos sanitários, a Covid-19 escancarou desigualdades entre países ricos e pobres. Nações de baixa renda, por exemplo, dependeram do consórcio internacional Covax Facility para garantir acesso às vacinas.
Ao mesmo tempo, a disseminação de desinformação enfraqueceu a confiança da população em governos e instituições. Por isso, a OMS defende o fortalecimento da comunicação científica e o compartilhamento de dados entre países.
Covid ainda tem impacto relevante no Brasil
No Brasil, a Covid-19 segue entre os principais vírus respiratórios. Dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que, nas últimas semanas, o coronavírus respondeu por 22,3% dos casos respiratórios e por 45% das mortes associadas a essas doenças.
Entretanto, a redução na testagem preocupa especialistas. Segundo a OMS, menos exames e notificações criam lacunas de dados, o que dificulta a identificação precoce de novos surtos ou variantes.
Recomendações para os próximos anos
Diante desse cenário, Maria Van Kerkhove reforça quatro prioridades globais:
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Proteger populações mais vulneráveis
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Manter vigilância epidemiológica ativa
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Investir em pesquisas sobre Covid longa
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Fortalecer a preparação antes da próxima crise
Por fim, a diretora da OMS resume o momento atual com clareza: a Covid não pertence ao passado. Portanto, a preparação contínua continua sendo essencial para salvar vidas.
Fonte: Metrópoles



