
O risco de acidente vascular cerebral (AVC) aumenta de forma significativa entre as mulheres à medida que a idade avança, especialmente após a menopausa. Nesse contexto, um novo estudo de grande escala indica que a dieta mediterrânea está associada a menor risco de AVC em mulheres, reforçando o papel da alimentação na prevenção de doenças cardiovasculares.
A pesquisa acompanhou mais de 105 mil mulheres por mais de duas décadas e analisou como os padrões alimentares influenciam a ocorrência de AVC ao longo do tempo.
Alimentação saudável como fator de proteção
Os pesquisadores observaram que mulheres com maior adesão à dieta mediterrânea apresentaram redução expressiva no risco de AVC. Esse padrão alimentar prioriza o consumo de vegetais, frutas, leguminosas, grãos integrais, azeite de oliva, nozes e peixes, além de limitar carnes vermelhas, laticínios e alimentos ultraprocessados.
De acordo com os dados do estudo, mulheres que seguiam esse tipo de dieta tiveram 18% menos chance de sofrer qualquer tipo de AVC. Quando analisados separadamente, os resultados mostraram 16% menos risco de AVC isquêmico, causado pela obstrução do fluxo sanguíneo, e 25% menos risco de AVC hemorrágico, caracterizado por sangramento no cérebro.
Estudo acompanhou mulheres por mais de 20 anos
A análise foi baseada em um acompanhamento médio de 20,5 anos, período em que as participantes responderam questionários detalhados sobre hábitos alimentares e tamanho das porções consumidas. A partir dessas informações, os pesquisadores atribuíram pontuações que indicavam o nível de adesão à dieta mediterrânea.
Pontuações mais altas estavam associadas a maior consumo de alimentos de origem vegetal e gorduras saudáveis, além de ingestão moderada de álcool. Já pontuações mais baixas refletiam dietas ricas em carnes, laticínios e produtos industrializados.
Redução do AVC hemorrágico chama atenção
Um dos achados considerados mais relevantes foi a diminuição do risco de AVC hemorrágico, um tipo menos comum, porém mais grave. Especialistas destacam que fatores de estilo de vida costumam ter maior impacto sobre o AVC isquêmico, o que torna esse resultado ainda mais significativo.
O estudo reforça que mudanças alimentares podem contribuir para a proteção vascular mesmo em fases da vida em que o risco naturalmente aumenta, como após a menopausa.
Evidências se somam a pesquisas anteriores
Pesquisas anteriores já haviam associado a dieta mediterrânea à redução do risco de demência, diabetes, depressão, câncer de mama e doenças cardiovasculares. Os novos dados ampliam esse conjunto de evidências ao demonstrar benefícios consistentes também na prevenção do AVC.
Especialistas ressaltam que, embora o estudo não tenha acompanhado mudanças na dieta ao longo dos anos, os resultados são robustos e coerentes com pesquisas anteriores sobre alimentação baseada em alimentos integrais e de origem vegetal.
Implicações para a saúde feminina
O AVC é uma das principais causas de morte entre mulheres em diversos países. Por isso, estratégias preventivas acessíveis, como a adoção de uma alimentação saudável, ganham destaque como medidas eficazes para reduzir riscos ao longo da vida.
Os pesquisadores enfatizam que seguir uma dieta equilibrada, rica em alimentos naturais, pode ser uma ferramenta importante para a promoção da saúde cardiovascular feminina e para a redução de eventos graves, como o acidente vascular cerebral.



