
Um filme produzido em Rondônia conquistou reconhecimento internacional ao ser selecionado para o maior festival de curtas-metragens do mundo. O curta Beira, dirigido pela cineasta Marcela Bonfim, foi escolhido para integrar a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, considerado o principal evento global dedicado ao cinema curto.
Produzido em Porto Velho, o filme está entre apenas cinco curtas brasileiros selecionados em todo o país para representar o Brasil no evento, que reúne produções autorais de diversos continentes e funciona como vitrine para o mercado audiovisual internacional.
Exibição ocorre no mercado internacional do festival
O curta Beira será exibido no dia 5 de fevereiro, durante a Sessão do Mercado “Brésil 2”, ao lado de outras quatro produções nacionais. A exibição ocorre dentro do Marché du Court Métrage, espaço estratégico do festival voltado à circulação, difusão e negociação de obras audiovisuais no cenário global.
Criado em 1979, o Festival de Clermont-Ferrand é hoje o maior do mundo no formato curta-metragem e o segundo maior evento cinematográfico da França em público e presença profissional, ficando atrás apenas do Festival de Cannes.
Curta aborda pertencimento, memória e resistência
O filme Beira conta a história de Eva, uma mulher negra e lésbica que retorna a Porto Velho após anos afastada para cuidar da antiga casa da avó, Dona Dora. Ao reencontrar a cidade, a personagem enfrenta memórias, afetos e conflitos em um território que, ao mesmo tempo, a acolhe e a rejeita.
A narrativa aborda temas como pertencimento, memória e resistência, a partir das margens da capital rondoniense. A obra dialoga com o cinema negro, o realismo poético e elementos de espiritualidade, construindo uma estética sensível e profundamente conectada ao território amazônico.
Reconhecimento internacional fortalece narrativas amazônicas
Antes da seleção para o festival francês, Beira integrou a programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, onde teve sua estreia nacional. Para a diretora Marcela Bonfim, a circulação do curta em festivais nacionais e internacionais representa a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas.
Segundo a cineasta, ocupar espaços onde as histórias são contadas é essencial para afirmar a existência e a potência de regiões como Rondônia, frequentemente negligenciadas no cenário cultural brasileiro.
A seleção do curta para o maior festival de curtas do mundo reforça a força do cinema produzido na Amazônia e projeta Rondônia no mapa internacional da produção audiovisual autoral.



