Hacker usando computador e cartão de crédito em esquema de crime digital com inteligência artificial
Plataforma ilegal utiliza inteligência artificial para validar cartões roubados e facilitar fraudes digitais

Uma plataforma digital usada por criminosos para verificar cartões de crédito roubados foi identificada em plena operação no Brasil. Batizada de E-Fraud, a ferramenta chama atenção não apenas pelo objetivo ilegal, mas pelo alto nível de sofisticação, incluindo uso de inteligência artificial, interface profissional e estratégias típicas de startups legítimas.

A descoberta foi feita pela empresa de cibersegurança Swarmy, que aponta o sistema como um verdadeiro hub de crime digital, operando a partir de um servidor com IP localizado nos Estados Unidos.

Plataforma funciona como serviço completo de fraude

De acordo com os especialistas, o principal serviço oferecido pela E-Fraud é a checagem automática de cartões de crédito obtidos ilegalmente. O sistema permite que criminosos testem grandes volumes de dados de forma simultânea, com retorno quase em tempo real, indicando quais cartões ainda estão ativos e podem ser usados em golpes.

Além disso, a plataforma possibilita a customização de fluxos de teste, o que amplia a eficiência das fraudes e reduz o risco de bloqueios imediatos pelos sistemas bancários.

Interface sofisticada indica uso de inteligência artificial

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos analistas é o visual da plataforma. Diferente de fóruns clandestinos rudimentares, a E-Fraud apresenta dashboards organizados, layout moderno e integração com gateways de pagamento, o que sugere o uso de IA para automação e análise de dados.

Esse nível de acabamento não é casual. Segundo a análise, a estética profissional ajuda a transmitir confiança aos usuários criminosos, simulando a experiência de empresas de software legítimas.

Modelo de negócio usa créditos e ranking de usuários

A E-Fraud opera com um sistema de monetização por créditos. Os pacotes identificados variam de cerca de R$ 100 por 100 créditos até R$ 4 mil por 10 mil créditos, usados para validar cartões dentro da plataforma.

O sistema também mantém um ranking de performance, destacando usuários que conseguem validar mais de 250 cartões, o que incentiva a competitividade e o uso contínuo da ferramenta.

Pix e empresas de fachada dificultam rastreamento financeiro

Outro aspecto preocupante é a forma como o dinheiro circula. A plataforma oferece bônus de até 50% em depósitos e utiliza QR Codes para pagamentos via Pix, facilitando transferências rápidas.

Segundo os investigadores, os valores são direcionados a uma empresa registrada em São Paulo, estratégia que pode indicar o uso de empresas de fachada para ocultar a origem criminosa dos recursos e dificultar o rastreamento financeiro.

Marketing profissional ajuda a atrair criminosos

A investigação aponta ainda que a E-Fraud investe em marketing digital sofisticado. A plataforma utiliza vídeos institucionais com síntese de voz por IA, reproduzindo o tom e o padrão de comunicação de startups de tecnologia.

O objetivo é claro: convencer fraudadores de que o serviço é confiável, rápido e automatizado, aumentando a adesão e a dependência da ferramenta.

Especialistas alertam para escalada do crime digital

Para analistas de segurança, casos como esse mostram uma nova fase do crime organizado online, marcada pela profissionalização, automação e uso intensivo de inteligência artificial.

O avanço dessas plataformas amplia os riscos para consumidores e reforça a necessidade de monitoramento constante, educação digital e mecanismos mais robustos de prevenção a fraudes.