Pai e filho se emocionam em cena retratada no filme sobre cannabis medicinal lançado após regulamentação da Anvisa.
Cena do documentário Quanto Custa o Remédio do Meu Pai, que retrata a história real de pai e filho precursores da cannabis medicinal no Brasil.

O lançamento do documentário “Quanto Custa o Remédio do Meu Pai” marca um momento simbólico para o debate sobre cannabis medicinal no Brasil. A obra chega ao público poucos dias após a regulamentação da Anvisa que autoriza o cultivo controlado da planta e a venda de medicamentos à base de cannabis em farmácias de manipulação.

O filme conta a história real de pai e filho que se tornaram precursores do uso medicinal da cannabis em um período em que o tratamento ainda era criminalizado no país. A trajetória da família emocionou o Brasil e ajudou a impulsionar discussões sobre saúde, dignidade e acesso a medicamentos.

Uma história real de coragem, amor e resistência

O documentário acompanha a vida de Filipe Barsan Suzin e de seu pai, Ivo Suzin, diagnosticado com Alzheimer precoce. Em meio à rápida progressão da doença e à perda de autonomia do pai, Filipe decidiu buscar alternativas fora da medicina tradicional.

Sem respaldo legal na época, ele passou a produzir óleo de cannabis medicinal em casa, com o objetivo de aliviar os sintomas do Alzheimer. O resultado surpreendeu a família: Ivo apresentou melhora significativa, voltou a interagir, demonstrar afeto e reconhecer pessoas próximas.

Vídeo que emocionou o país

Um dos momentos mais marcantes retratados no filme é o vídeo em que Ivo reconhece o filho após um longo período de esquecimento, cena que viralizou nas redes sociais e comoveu milhões de brasileiros.

A repercussão transformou a história da família em símbolo da luta pelo direito ao tratamento com cannabis medicinal. O caso ganhou destaque em programas de TV de alcance nacional e passou a inspirar outras famílias que enfrentavam situações semelhantes.

Reconhecimento judicial antes da regulamentação

Em janeiro de 2020, após anos de batalha judicial, a Justiça Federal de Goiás concedeu um habeas corpus preventivo que autorizou pai e filho a cultivar, portar e produzir a própria medicação à base de cannabis para fins medicinais.

A decisão foi considerada um marco e abriu precedente para outros pacientes no país, reforçando o debate sobre a necessidade de uma regulamentação nacional — que só veio a avançar agora, com a decisão recente da Anvisa.

Documentário chega em momento decisivo

O curta-metragem foi produzido por estudantes do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e conta com apoio de pesquisadores ligados ao cultivo científico da cannabis.

Lançado em um contexto de mudança regulatória, o filme propõe uma reflexão direta:
como falar em saúde pública enquanto tratamentos eficazes permanecem inacessíveis para parte da população?

A obra já foi premiada em festivais nacionais e internacionais de cinema e exibida em eventos voltados à saúde, ciência e direitos dos pacientes.

Legado e luta continuam

Ivo Suzin faleceu em novembro de 2025, vítima de uma pneumonia que evoluiu para infecção generalizada. Mesmo após a perda do pai, Filipe segue atuando na defesa do uso responsável da cannabis medicinal e no apoio a pacientes que dependem do tratamento.

Segundo ele, a regulamentação atual representa um avanço, mas ainda impõe limitações que excluem parte dos pacientes, especialmente aqueles que necessitam de medicamentos com maior concentração de THC.

Um filme sobre saúde, empatia e direito à vida

Mais do que um documentário, “Quanto Custa o Remédio do Meu Pai” é um retrato sensível sobre amor familiar, ciência, preconceito e acesso à saúde. A história reforça a importância de políticas públicas que coloquem o paciente no centro das decisões e reconheçam o direito ao tratamento adequado.

O filme está disponível gratuitamente na internet e convida o público a refletir sobre o futuro da cannabis medicinal no Brasil.