Manchas típicas do sarampo em pessoa adulta simbolizam aumento de casos e alerta internacional de saúde pública
Avanço do sarampo preocupa autoridades de saúde em diversos países

Os casos de sarampo voltaram a crescer de forma acelerada em diversas regiões do mundo e acenderam um alerta internacional entre autoridades de saúde. Dados recentes mostram que a doença, embora evitável por vacina, alcançou níveis que não eram registrados há décadas, sobretudo nos Estados Unidos. Diante desse cenário, especialistas alertam para o risco de novos surtos e para a possível perda do status de eliminação do vírus em alguns países.

O alerta partiu da Global Virus Network (GVN), rede internacional que reúne especialistas em virologia humana e animal de mais de 40 países. Segundo a entidade, o avanço do sarampo expõe falhas persistentes nos sistemas de saúde pública, principalmente relacionadas à queda na cobertura vacinal.

Avanço expressivo nos Estados Unidos

Em 2025, os Estados Unidos registraram o maior número de casos de sarampo em mais de 30 anos. Ao longo do período, o país confirmou mais de 2.200 infecções em 45 estados. Além disso, pelo menos 11% dos pacientes precisaram de hospitalização, o que reforçou a gravidade do cenário.

Entre os casos confirmados, autoridades identificaram infecções em crianças pequenas e confirmaram três mortes. Por isso, órgãos de saúde passaram a monitorar a situação com mais rigor. Caso a transmissão continue, o país pode perder o status de eliminação do sarampo, situação semelhante à já registrada recentemente no Canadá.

Doença altamente contagiosa, mas evitável

O sarampo figura entre as doenças virais mais contagiosas do mundo. O vírus se espalha facilmente pelo ar, por meio de gotículas respiratórias, e provoca complicações graves, especialmente em crianças não vacinadas. Ainda assim, a ciência já dispõe de uma forma eficaz de prevenção.

A vacina tríplice viral (MMR) protege contra o sarampo desde a década de 1960 e apresenta histórico consolidado de segurança e eficácia. No entanto, a GVN destaca que a redução da adesão às campanhas de imunização tem permitido o ressurgimento da doença em diferentes regiões.

Baixa cobertura vacinal e viagens ampliam o risco

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), a maioria dos surtos recentes surgiu em locais com baixa cobertura vacinal. Além disso, o aumento das viagens internacionais facilitou a reintrodução do vírus em comunidades que não mantinham proteção adequada.

Segundo o professor Scott Weaver, diretor de um centro de excelência da GVN, o cenário exige resposta imediata. Para ele, o sarampo representa uma ameaça global, pois o vírus se espalha rapidamente sempre que encontra populações vulneráveis.

Situação global preocupa autoridades de saúde

O crescimento dos casos não se limita aos Estados Unidos. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou cerca de 95 mil mortes por sarampo em 2024. A maioria das vítimas eram crianças menores de cinco anos que não receberam a vacina ou apresentavam esquema vacinal incompleto.

A OMS reforça que a vacina contra o sarampo é segura, de baixo custo e essencial para prevenir mortes evitáveis. Mesmo assim, dificuldades de acesso e a disseminação de desinformação continuam a comprometer os esforços de imunização em vários países.

Recomendações para conter novos surtos

Diante do avanço da doença, a Global Virus Network recomenda medidas imediatas para conter a transmissão. Entre as principais ações estão a ampliação da vacinação de crianças e adultos não imunizados e o fortalecimento dos sistemas de vigilância epidemiológica.

Além disso, a entidade defende o combate ativo à desinformação sobre vacinas, por meio de comunicação clara e baseada em evidências científicas. Por fim, o GVN ressalta que a cooperação internacional continua essencial para ampliar a imunização e reduzir doenças evitáveis em escala global.

Segundo a rede, apenas a combinação entre alta cobertura vacinal e monitoramento contínuo pode impedir que o sarampo volte a se estabelecer de forma sustentada em países que já haviam controlado a doença.

Fonte: Olhar Digital