Orelhão antigo e abandonado em rua vazia simboliza o fim dos telefones públicos no Brasil
Orelhão desativado em via urbana representa o encerramento definitivo da telefonia pública no país.

O ano de 2026 marca oficialmente o fim do orelhão no Brasil. A partir de janeiro, começa a retirada definitiva dos telefones públicos das ruas, após o encerramento das concessões de telefonia fixa. A medida foi confirmada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e encerra um ciclo que atravessou décadas da história da comunicação no país.

Segundo dados da agência reguladora, cerca de 38 mil orelhões ainda permanecem instalados em todo o território nacional, número muito inferior ao registrado no passado. Em 2020, por exemplo, o Brasil ainda contava com aproximadamente 202 mil aparelhos em funcionamento ou desativados.

Retirada começa em janeiro

A remoção em massa terá início com a retirada de carcaças e aparelhos já desativados, espalhados por ruas, praças e calçadas. Com o fim dos contratos de concessão, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos.

Apesar disso, a extinção não será imediata em todos os locais. Cidades sem cobertura adequada de telefonia móvel ou outras formas de comunicação ainda poderão manter o serviço, mas apenas até 2028.

De símbolo nacional à obsolescência

Durante décadas, o orelhão foi essencial para a comunicação dos brasileiros. Entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os telefones públicos garantiam chamadas urgentes, contatos familiares e até serviam como ponto de encontro.

Com a popularização dos celulares e da internet móvel, porém, o equipamento se tornou obsoleto. Hoje, a maioria dos aparelhos restantes está sem uso, vandalizada ou fora de operação. Dados da Anatel indicam que mais de 33 mil orelhões ainda aparecem como ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

Investimentos em novas tecnologias

Como contrapartida à desativação definitiva, a Anatel determinou que as operadoras redirecionem os recursos antes usados na manutenção dos orelhões para investimentos em banda larga e telefonia móvel, tecnologias que atualmente concentram a maior parte da comunicação no Brasil.

A decisão acompanha a transformação do setor de telecomunicações e reforça a prioridade dada à expansão do acesso digital, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Um marco histórico

Criado em 1971 pela arquiteta Chu Ming Silveira, o orelhão brasileiro se tornou um ícone do design urbano, reconhecido inclusive fora do país. O formato oval, além de estético, tinha função acústica, reduzindo ruídos externos durante as ligações.

Agora, mais de 50 anos depois, a retirada definitiva dos aparelhos simboliza não apenas o avanço tecnológico, mas também o encerramento de uma era que marcou gerações.

Fonte: G1