
Esquecer nomes, objetos e tarefas simples faz parte do cotidiano de milhões de pessoas que convivem com algum tipo de demência, incluindo o Alzheimer. Diante desse cenário, pesquisadores passaram a buscar soluções capazes de reduzir essas dificuldades. Como resultado, surgiram óculos inteligentes desenvolvidos para ajudar o usuário a lembrar informações importantes ao longo do dia, ampliando a autonomia e a segurança.
A tecnologia, chamada CrossSense, utiliza inteligência artificial para reconhecer pessoas, identificar objetos e oferecer orientações em tempo real. Dessa maneira, o sistema acompanha o olhar do usuário e apresenta informações úteis conforme o ambiente ao redor, sem exigir comandos manuais.
Tecnologia funciona como assistente pessoal
O CrossSense foi criado pela cooperativa britânica Animorph e, desde então, ganhou projeção internacional. Isso ocorreu após o projeto se tornar finalista do Longitude Prize on Dementia, prêmio que incentiva soluções voltadas à qualidade de vida de pessoas com demência.
Por meio de câmeras, microfones e algoritmos de IA, os óculos inteligentes analisam o ambiente e ajudam o usuário a se situar melhor em situações cotidianas. Entre as principais funções, estão:
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Identificação de pessoas com exibição de nomes
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Reconhecimento de objetos da casa e explicação de suas funções
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Apoio em atividades rotineiras, como organização e orientação
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Emissão de lembretes simples sobre compromissos e tarefas
Além disso, todo o funcionamento ocorre de forma automática, o que facilita o uso contínuo e reduz barreiras tecnológicas.
Mais segurança e menos ansiedade no cotidiano
Nos testes iniciais, pessoas com demência leve relataram mais segurança ao realizar tarefas comuns. Ao mesmo tempo, usuários perceberam redução da confusão e da ansiedade provocadas pela perda de memória, o que impactou positivamente o bem-estar diário.
Em um dos exemplos citados pelos desenvolvedores, ao olhar para uma mesa com alimentos, o sistema descreveu os itens de forma simples. Assim, o usuário conseguiu compreender melhor o ambiente e tomar decisões com mais confiança, mesmo em situações rotineiras.
Outro ponto relevante está no design discreto dos óculos. Nesse sentido, os desenvolvedores optaram por um visual semelhante ao de modelos comuns. Com isso, o usuário evita constrangimentos e consegue utilizar o equipamento em público sem chamar atenção.
Segundo os criadores, o CrossSense não substitui o cuidado humano. Pelo contrário, o sistema atua como um apoio adicional, oferecendo informações claras no momento em que elas se tornam necessárias.
O que é demência e por que o diagnóstico precoce importa
A demência reúne um conjunto de sinais e sintomas, como esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos e dificuldade em lembrar nomes, lugares e objetos. Com o avanço da condição, a independência da pessoa tende a diminuir progressivamente.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo o Alzheimer, por meio de centros de referência e unidades básicas de saúde. Quando o diagnóstico ocorre de forma precoce, as equipes conseguem iniciar terapias que retardam a progressão dos sintomas e reduzem a sobrecarga familiar.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou ter sua evolução retardada com medidas adequadas ao longo da vida.
Tecnologia segue em testes, mas mostra grande potencial
Apesar dos resultados positivos, o CrossSense ainda passa por testes e aprimoramentos. Mesmo assim, os desenvolvedores avaliam que, no futuro, o sistema poderá ser integrado a óculos inteligentes disponíveis no mercado, com uso contínuo no ambiente doméstico.
Atualmente, a demência afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar ao isolamento social, além de aumentar o risco de acidentes dentro de casa. Nesse contexto, tecnologias baseadas em inteligência artificial, como o CrossSense, surgem como ferramentas promissoras para preservar a autonomia, melhorar a comunicação e tornar o cotidiano mais seguro para pacientes, familiares e cuidadores.
Fonte: Metrópoles



