Alimentos ultraprocessados como salgadinhos, biscoitos e refrigerante ilustram os riscos à saúde do consumo excessivo.
Ultraprocessados são práticos, mas o consumo frequente está associado a obesidade, diabetes e outras doenças crônicas.

Os alimentos ultraprocessados estão cada vez mais presentes na mesa dos brasileiros. Embora pareçam inofensivos, estudos recentes mostram que o consumo frequente desses produtos aumenta o risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e alguns tipos de câncer. Por isso, especialistas alertam que o problema vai além do excesso e envolve, sobretudo, o modo de fabricação e consumo desses alimentos.

O que caracteriza um alimento ultraprocessado

Nem todo alimento industrializado representa um risco. Conservas simples, alimentos congelados sem aditivos e pães tradicionais passam por algum tipo de processamento. No entanto, os ultraprocessados seguem um caminho diferente.

Nesse caso, a indústria submete os ingredientes a transformações profundas. Ela quebra alimentos naturais, refina componentes e os recompõe em formulações artificiais, geralmente carregadas de aditivos químicos, como corantes, conservantes, aromatizantes e emulsificantes que não existem na natureza.

Assim, o alimento perde sua identidade original. Um exemplo claro é o milho, que deixa de ser milho e passa a se transformar em um salgadinho colorido, crocante e com sabor artificial.

Como o ultraprocessamento afeta a digestão

Durante essas transformações, nutrientes importantes se perdem. As fibras quase desaparecem, enquanto grãos como arroz, trigo e milho passam por moagem e refinamento intensos. Como resultado, o valor nutricional cai drasticamente.

Além disso, pesquisas indicam que o ultraprocessamento altera a estrutura dos alimentos. Ao quebrar ligações naturais entre nutrientes, o processo dificulta o reconhecimento desses compostos pelo organismo. Consequentemente, a digestão se torna menos eficiente e a resposta metabólica sofre alterações.

Somado a isso, esses produtos concentram grandes quantidades de amido refinado. Esse fator interfere na absorção da glicose e, com o tempo, contribui para o aumento dos casos de obesidade e diabetes tipo 2.

Excesso de açúcar, gordura e sal

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, os ultraprocessados reúnem altos teores de açúcar, gorduras de baixa qualidade e sódio. A indústria utiliza o sal não apenas para conservar os alimentos, mas também para intensificar sabores e mascarar gostos desagradáveis criados pelos aditivos.

Por causa disso, esses produtos oferecem poucas vitaminas, minerais e substâncias bioativas. Em longo prazo, essa combinação fragiliza o organismo e reduz sua capacidade de proteção contra doenças.

Por que a saciedade não funciona como deveria

Outro problema relevante envolve a saciedade. Alimentos ricos em fibras percorrem todo o sistema digestivo, alimentam a microbiota intestinal e mantêm a fome controlada por mais tempo.

Em contrapartida, os ultraprocessados seguem um caminho oposto. Eles são absorvidos rapidamente no trato gastrointestinal superior. Dessa forma, liberam muitas calorias em pouco tempo, mas não sustentam a saciedade. Por isso, a fome retorna cedo, mesmo após refeições calóricas.

Além disso, esses produtos:

  • exigem pouca mastigação, o que facilita o consumo excessivo;

  • permitem o consumo em qualquer lugar, estimulando o comer automático;

  • costumam vir em embalagens grandes, incentivando porções exageradas;

  • incluem bebidas adoçadas, cujas calorias líquidas o organismo registra com menos eficiência.

Estratégias para reduzir o consumo de ultraprocessados

Embora a praticidade desses alimentos seja inegável, o impacto negativo se acumula ao longo dos anos. Ainda assim, reduzir o consumo não exige mudanças radicais. Pelo contrário, ações graduais trazem resultados mais consistentes.

Entre as principais estratégias, destacam-se:

  • priorizar alimentos frescos ou minimamente processados;

  • planejar refeições para evitar decisões impulsivas;

  • não pular refeições, a fim de controlar a fome;

  • aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes e grãos integrais;

  • sempre que possível, cozinhar e comer em casa, ampliando o controle sobre ingredientes e preparo.

Portanto, pequenas mudanças diárias fazem grande diferença no longo prazo. O objetivo não é eliminar completamente esses produtos, mas reduzir a dependência de alimentos que prejudicam a saúde de forma silenciosa.

Fonte: UOL