O México limita a importação de carnes bovina e suína com tarifa zero após a publicação de duas resoluções nesta segunda-feira (5). Com isso, o governo encerra a isenção total que vigorava até então e cria cotas livres de imposto, enquanto o volume excedente passa a ser taxado. Dessa forma, a decisão deve impactar diretamente países exportadores, como o Brasil.
Até a mudança, empresas mexicanas importavam carnes do exterior sem qualquer limite de volume e, além disso, sem pagamento de tarifa. Agora, no entanto, o governo mexicano afirma que busca equilibrar a oferta externa com a produção nacional. Por isso, decidiu adotar limites claros para cada tipo de produto.
Como funcionam as novas regras
Com as resoluções já em vigor, o México passou a adotar cotas específicas. Assim, cada tipo de carne terá um limite distinto:
-
Carne bovina: até 70 mil toneladas sem tarifa. A partir desse volume, portanto, o imposto será de 20%.
-
Carne suína: cota de 51 mil toneladas com isenção. Nesse caso, o excedente pagará 16%.
Essas regras permanecem válidas até 31 de dezembro deste ano. Desse modo, o setor exportador já precisa se adaptar ao novo cenário.
Exportações brasileiras entram em alerta
A decisão, por sua vez, preocupa o setor exportador brasileiro. Entre janeiro e novembro de 2025, a carne bovina ocupou a segunda posição entre os produtos mais exportados do Brasil para o México. Já a carne suína ficou em décimo lugar, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Além disso, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) explicou que as cotas devem atender principalmente países fora da América do Norte. Nesse contexto, o Brasil aparece como um dos principais fornecedores, ao lado do Chile e da União Europeia.
Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que aguarda orientações do governo mexicano. A entidade quer entender, sobretudo, como ocorrerá a distribuição das cotas entre os países exportadores. Assim, o setor segue em compasso de espera.
Frango não entra nas restrições
Apesar das mudanças, o frango, principal produto brasileiro exportado ao México, permanece com tarifa zerada. Segundo a ABPA, o governo mexicano não incluiu o item nas novas regras. Dessa forma, o setor avícola segue sem impacto direto no curto prazo.
Ainda assim, produtores acompanham o cenário com cautela. Afinal, novas revisões não estão descartadas.
Medida ocorre após restrição anunciada pela China
A decisão mexicana, além disso, surge poucos dias depois de a China, maior compradora da carne bovina brasileira, também anunciar limites às importações. No caso chinês, o governo criou cotas anuais e, ao mesmo tempo, estabeleceu sobretaxas elevadas para volumes excedentes.
Com isso, dois grandes mercados passaram a adotar políticas mais restritivas. Portanto, o movimento aumenta a pressão sobre o comércio internacional de carnes. Ao mesmo tempo, o cenário exige atenção do setor produtivo brasileiro e reforça, sobretudo, a necessidade de diversificação de mercados e de negociações diplomáticas mais ativas.
Fonte: G1




