Brócolis associado à redução do risco de câncer de mama segundo estudo científico
Estudos indicam que compostos do brócolis atuam em diferentes frentes na prevenção do câncer de mama.

Estudo com mais de 160 mil mulheres indica que vegetais crucíferos atuam em várias etapas da formação do câncer, com efeito mais forte em tumores agressivos.

Comer brócolis não é uma vacina contra o câncer. No entanto, ao longo dos anos, uma alimentação rica em vegetais crucíferos pode reduzir o risco de câncer de mama, sobretudo em subtipos mais agressivos da doença. Nesse contexto, um conjunto robusto de estudos apresentados por pesquisadores ligados à Universidade Harvard chama a atenção da comunidade científica.

As análises acompanharam mais de 160 mil mulheres por até três décadas. Além disso, os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos rigorosos para avaliar padrões alimentares e tipos de tumor. Como resultado, os dados apontam uma associação consistente entre o consumo regular de brócolis e outros vegetais crucíferos e a redução do risco de tumores de mama hormônio-negativos.

Portanto, segundo especialistas, não se trata de um achado pontual ou circunstancial.

Estudo amplo e evidências sólidas

Os resultados foram apresentados durante o principal congresso mundial sobre câncer de mama, realizado em San Antonio, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os pesquisadores compararam frequência de consumo, histórico clínico e evolução dos tumores.

De acordo com o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, esse conjunto de dados oferece maior segurança na interpretação dos resultados. Ainda assim, os especialistas reforçam que os achados devem ser entendidos dentro de um contexto de prevenção de longo prazo.

O que são vegetais crucíferos

Os vegetais crucíferos pertencem à família das Brassicáceas, conhecida pelas flores em formato de cruz. Entre os principais exemplos, estão:

  • brócolis

  • couve-flor

  • repolho

  • rúcula

  • agrião

Além de fibras, vitaminas e minerais, esses alimentos concentram compostos bioativos ricos em enxofre, como os glucosinolatos, associados a efeitos anticâncer.

Como funciona o ataque coordenado

Quando os pesquisadores falam em ataque coordenado, não utilizam força de expressão. Na prática, os compostos presentes no brócolis atuam em várias etapas da carcinogênese, processo que transforma uma célula saudável em cancerígena.

Dessa forma, não existe um único mecanismo responsável pelo efeito protetor. Ao contrário, diferentes vias biológicas são moduladas simultaneamente.

Neutralização de toxinas

Inicialmente, compostos como o sulforafano ativam sistemas de defesa do organismo responsáveis por neutralizar toxinas presentes na alimentação, na poluição e no cigarro. Assim, essas substâncias são eliminadas antes de causar danos ao DNA.

Com isso, o processo ocorre antes mesmo de qualquer célula se tornar cancerígena.

Redução da ativação de carcinógenos

Além disso, algumas substâncias não são cancerígenas por si só. Entretanto, após reações químicas no organismo, elas podem se transformar em agentes perigosos. Nesse cenário, os compostos dos vegetais crucíferos ajudam a reduzir essa conversão.

Consequentemente, diminui-se a chance de agressão direta ao material genético.

Modulação epigenética

Outro ponto central envolve a epigenética, área que estuda como os genes são ativados ou silenciados. Células cancerígenas costumam desligar genes que funcionam como freios naturais do crescimento celular.

Por outro lado, os compostos presentes no brócolis ajudam a reativar esses mecanismos de proteção.

Indução da morte celular

Quando a célula já sofreu alterações importantes e não consegue se corrigir, entra em ação a apoptose, ou morte celular programada. Nesse estágio, os vegetais crucíferos aumentam a atividade de proteínas que identificam danos irreversíveis.

Assim, o organismo impede que células defeituosas continuem se multiplicando.

Menos inflamação, menos risco

Por fim, o efeito protetor também se estende ao ambiente do organismo. De um lado, os vegetais crucíferos reduzem a inflamação crônica. De outro, diminuem sinais que estimulam a formação de novos vasos sanguíneos, essenciais para o crescimento de tumores.

Dessa maneira, o terreno se torna menos favorável à progressão do câncer de mama.

Frequência de consumo importa

Os benefícios apareceram em todos os níveis de consumo. Ainda assim, os resultados foram mais consistentes entre mulheres que mantinham ingestão diária de brócolis e outros vegetais crucíferos.

Portanto, os especialistas reforçam que o efeito é cumulativo e depende de hábitos mantidos ao longo do tempo.

Benefícios adicionais

Além da possível proteção contra o câncer de mama, os vegetais crucíferos ajudam no funcionamento do intestino, contribuem para o controle da inflamação, favorecem a saúde cardiovascular e aumentam a saciedade.

Em resumo, trata-se de uma escolha alimentar simples, acessível e com impacto positivo na saúde geral.