
Por muito tempo, tratar a prisão de ventre parecia simples: beber mais água e aumentar o consumo de fibras. No entanto, quem convive com a constipação crônica sabe que a solução não é tão básica. O problema, que pode durar semanas ou meses, afeta o bem-estar, o humor, o sono e a qualidade de vida.
Agora, pela primeira vez, nutricionistas britânicos reuniram evidências científicas sólidas para indicar quais alimentos e suplementos realmente funcionam no tratamento da constipação crônica.
As recomendações fazem parte de uma diretriz inédita publicada pela Associação Britânica de Nutricionistas e Dietistas (BDA), baseada na análise de 75 ensaios clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises. O documento apresenta 59 orientações práticas e busca substituir o discurso genérico de “coma mais fibras” por indicações mais precisas, eficazes e seguras.
Evidências apontam fibras específicas como mais eficazes
As novas diretrizes confirmam algo que já vinha sendo observado na prática clínica: nem todas as fibras têm o mesmo efeito sobre o intestino. Entre os suplementos analisados, o destaque foi o psyllium, fibra solúvel extraída da casca da semente da planta Plantago ovata.
Segundo o documento, o psyllium é considerado o “padrão-ouro” entre os suplementos de fibra quando consumido regularmente em doses de pelo menos 10 gramas por dia. A substância forma um gel no intestino, retém água, aumenta o volume das fezes e melhora sua consistência, facilitando a evacuação e reduzindo o esforço intestinal.
Outras fibras, como a inulina, apresentaram resultados mais modestos e, em alguns casos, provocaram gases e desconforto abdominal.
Kiwi se destaca entre as frutas
Entre os alimentos naturais avaliados, o kiwi ganhou protagonismo. De acordo com a BDA, o consumo de duas unidades por dia, por pelo menos quatro semanas, melhora a frequência das evacuações e a textura das fezes.
A fruta combina fibras solúveis com enzimas que estimulam o trânsito intestinal. Além disso, fornece vitamina C e antioxidantes, o que torna sua inclusão na rotina alimentar simples, segura e bem tolerada pela maioria das pessoas.
As diretrizes apontam que o kiwi pode apresentar resultados semelhantes aos do psyllium quando consumido regularmente. No entanto, os especialistas reforçam que a resposta pode variar de acordo com hábitos alimentares, rotina e características individuais.
Magnésio e pão de centeio também aparecem nas recomendações
O documento também cita o magnésio como um aliado importante no combate à constipação crônica. O mineral está presente em verduras de folhas escuras, leguminosas, nozes, grãos integrais, abacate e peixes. Em alguns casos, porém, a suplementação pode ser necessária, sempre com orientação profissional.
O pão de centeio também mostrou efeito positivo, por conter fibras solúveis e fermentáveis que aumentam o volume das fezes e estimulam a flora intestinal. Ainda assim, os especialistas alertam que as doses analisadas nos estudos são elevadas e nem sempre viáveis no dia a dia.
Ameixa e maçã perdem protagonismo
Apesar da fama popular, frutas como ameixa e maçã não apresentaram evidências científicas robustas de eficácia em casos de constipação crônica. Embora sejam alimentos saudáveis e ricos em fibras, os especialistas afirmam que não devem ser encarados como solução isolada para o problema.
Hábitos saudáveis continuam essenciais
Além da alimentação, as diretrizes reforçam que outros fatores continuam fundamentais para o funcionamento adequado do intestino. A prática regular de atividade física, o sono de qualidade e a redução do consumo de ultraprocessados fazem parte do cuidado integral com a saúde intestinal.
Na dúvida, a recomendação é buscar orientação de um nutricionista ou profissional de saúde para definir a melhor estratégia de tratamento.
Fonte: CNN Brasil



