O golpe do bilhete premiado atravessa gerações e segue fazendo vítimas no Brasil. Mesmo amplamente divulgado, o esquema voltou a ganhar força em São Paulo, onde estelionatários usam encenação, pressão emocional e falsas promessas de dinheiro fácil para enganar, sobretudo, pessoas idosas.
Reportagem exibida pelo Fantástico revelou como a fraude, registrada desde o início do século 20, permanece eficaz ao explorar confiança, vulnerabilidade emocional e desconhecimento das vítimas.
Como funciona o golpe do bilhete premiado
O roteiro é antigo, mas segue praticamente o mesmo. Geralmente, duas ou mais pessoas atuam em conjunto. Um dos golpistas aborda a vítima afirmando ter um bilhete de loteria supostamente premiado, mas diz não poder receber o dinheiro por motivos religiosos ou pessoais.
Em seguida, entra em cena um comparsa, que se apresenta como alguém disposto a ajudar. Ele simula ligações para uma falsa gerente bancária ou funcionária da Caixa Econômica Federal, que confirma o prêmio e reforça a história.
Convencida de que está diante de uma oportunidade única, a vítima entrega dinheiro, faz transferências ou até contrai empréstimos. No fim, recebe apenas um envelope com papéis sem valor.
Vítimas relatam prejuízos milionários
Em um dos casos mostrados na reportagem, um idoso de 88 anos entregou R$ 70 mil após ser convencido por dois irmãos que atuavam juntos no golpe. Em outra situação, uma mulher perdeu R$ 3,25 milhões, após realizar 14 depósitos ao longo de um mês, esgotando todas as economias de uma vida.
Há relatos ainda de vítimas que contraíram empréstimos de até R$ 100 mil, acreditando que dividiriam prêmios inexistentes de milhões de reais.
Crime antigo que continua atual
Documentos históricos indicam que o golpe do bilhete premiado já era aplicado no Brasil por volta de 1900. Mesmo assim, ele continua eficaz porque os criminosos escolhem bem o local da abordagem, geralmente próximo a bancos, e mantêm aparência respeitável.
Segundo a Polícia Civil, há famílias inteiras especializadas nesse tipo de fraude, com registros criminais que se estendem por mais de uma década. Em São Paulo, 382 casos foram registrados apenas em 2025, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação.
Por que idosos são o principal alvo
Especialistas explicam que os criminosos usam pressão psicológica intensa, criando senso de urgência e confiança falsa. Psicólogos afirmam que essa estratégia reduz a capacidade de reação da vítima, que passa a agir sem questionar.
Além disso, após o prejuízo, muitas vítimas sentem vergonha ou constrangimento, o que dificulta a denúncia e contribui para a continuidade do golpe.
Alertas das autoridades
A Caixa Econômica Federal reforça que não realiza conferência de bilhetes por telefone ou internet, apenas presencialmente em suas agências. Já a Febraban orienta que ninguém deve entregar dinheiro a desconhecidos, independentemente da promessa apresentada.
A recomendação é registrar boletim de ocorrência sempre que houver suspeita de golpe.
Como se proteger do golpe do bilhete premiado
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Desconfie de promessas de dinheiro fácil
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Nunca entregue dinheiro ou faça transferências a desconhecidos
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Não aceite ajuda de estranhos para verificar bilhetes de loteria
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Em caso de dúvida, procure diretamente um banco ou a polícia
A informação continua sendo a principal arma para evitar que um golpe centenário siga fazendo novas vítimas.
Fonte: G1




