Talco da Johnson & Johnson envolvido em condenação de US$ 1,6 bilhão por câncer nos Estados Unidos
Júri nos Estados Unidos condenou a Johnson & Johnson a pagar US$ 1,6 bilhão por câncer associado ao uso de talco infantil.

Um júri nos Estados Unidos condenou a Johnson & Johnson a pagar US$ 1,6 bilhão a uma vítima que desenvolveu câncer após o uso prolongado de talco infantil. Com isso, a companhia soma mais uma derrota judicial em uma série de processos que se arrastam há anos nos tribunais norte-americanos.

Segundo a decisão, os jurados entenderam que houve responsabilidade da empresa pelos danos causados. Ao mesmo tempo, a Johnson & Johnson informou que vai recorrer da sentença e reafirmou que seus produtos não causam câncer.

Defesa da empresa contesta relação entre talco e câncer

Em nota oficial, a multinacional afirmou que não existe comprovação científica de que o talco da Johnson & Johnson provoque câncer. Além disso, voltou a negar a presença de amianto, substância reconhecidamente cancerígena, na composição do produto.

Ainda assim, os advogados da vítima sustentaram que a empresa teria ocultado riscos à saúde durante décadas, mesmo diante de estudos e documentos internos. Por isso, o júri concluiu que houve falha grave no dever de informar os consumidores.

Uso prolongado do talco e desenvolvimento da doença

De acordo com os autos, a vítima utilizou o talco infantil por um longo período. Com o passar dos anos, acabou desenvolvendo câncer, o que, segundo a acusação, estaria diretamente relacionado à exposição contínua ao produto.

Dessa forma, a indenização de US$ 1,6 bilhão foi fixada como reparação pelos danos físicos, emocionais e financeiros. Ao todo, a condenação figura entre as maiores já impostas em ações individuais desse tipo.

Mais de 70 mil processos contra a Johnson & Johnson

Enquanto isso, mais de 70 mil processos semelhantes seguem em andamento nos Estados Unidos contra a Johnson & Johnson, a maioria relacionada a alegações de que o uso frequente de talco estaria associado ao surgimento de câncer, especialmente entre mulheres.

Diante desse cenário, a empresa anunciou em 2022 a substituição do talco por amido de milho em mercados como Estados Unidos e Canadá. No entanto, a multinacional reforça que a mudança não representa admissão de culpa.

Impacto financeiro e reputacional da condenação

A nova decisão amplia o impacto financeiro e reputacional sobre a Johnson & Johnson. Além das indenizações já aplicadas, especialistas avaliam que o volume de ações judiciais pode continuar pressionando os resultados da companhia nos próximos anos.

Por outro lado, analistas apontam que julgamentos desse porte tendem a fortalecer a posição de vítimas que buscam reparação na Justiça, influenciando decisões futuras.

Próximos passos do caso

Por fim, a expectativa se concentra no recurso anunciado pela empresa. Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado por investidores, autoridades regulatórias e entidades de defesa do consumidor, já que pode estabelecer novos precedentes envolvendo talco, câncer e responsabilidade corporativa.