Juros bancários disparam com Selic em 15% e crédito mais caro no Brasil
Com Selic em 15%, juros bancários sobem e pressionam famílias e empresas.

Com a taxa básica de juros em patamar elevado, os juros bancários disparam com a Selic alta. Os juros bancários voltaram a subir em novembro e alcançaram o maior nível dos últimos oito anos. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a taxa média cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas chegou a 46,7% ao ano, avanço de 0,6 ponto percentual em relação a outubro.

Esse é o maior patamar desde abril de 2017, quando os juros estavam em 48,3% ao ano. Além disso, somente em 2025, a taxa média já acumulou alta de seis pontos percentuais, o que amplia o custo do crédito no país.

O movimento ocorre em meio à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas. O Banco Central mantém a política monetária restritiva na tentativa de conter a inflação, mas o efeito direto é o encarecimento do crédito para consumidores e empresas.

Selic elevada pressiona o custo do crédito

A taxa média divulgada pelo Banco Central considera apenas operações com recursos livres, ou seja, não inclui financiamentos habitacionais, crédito rural nem operações com o BNDES. Mesmo assim, o impacto é amplo, pois essas linhas representam a maior parte do crédito utilizado no dia a dia da economia.

Enquanto isso, os juros cobrados das pessoas físicas continuam mais altos. Em novembro, a taxa média subiu de 58,5% para 59,4% ao ano, maior nível desde agosto de 2017. Já nas operações com empresas, houve leve recuo, de 25,1% para 24,5% ao ano.

Cheque especial e cartão de crédito seguem em níveis elevados

Entre as modalidades mais caras, o cheque especial apresentou novo avanço. A taxa cobrada das pessoas físicas passou de 139,1% ao ano, em outubro, para 141,7% ao ano em novembro, uma alta de 2,6 pontos percentuais.

No caso do cartão de crédito rotativo, os juros seguem em patamar considerado proibitivo. A taxa média subiu de 439,8% para 440,5% ao ano, mantendo essa linha de crédito como a mais cara do mercado financeiro brasileiro.

Apesar do limite imposto pelo Conselho Monetário Nacional desde janeiro de 2024, que restringe o valor total da dívida a até 100% do débito original, especialistas seguem alertando para os riscos do uso do crédito rotativo, especialmente em períodos de juros elevados.

Endividamento e inadimplência preocupam

Mesmo com o crédito mais caro, o endividamento das famílias continua elevado. Segundo o Banco Central, as dívidas com bancos alcançaram 49,3% da renda acumulada em 12 meses até outubro, o maior nível desde novembro de 2022, ainda durante a pandemia.

A inadimplência também segue em patamar alto. A taxa média total permaneceu em 3,8%, próxima ao recorde histórico da série iniciada em 2011. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência ficou em 4,7%, enquanto entre as empresas houve leve recuo, de 2,4% para 2,3%.

Crédito cresce, mas com custo mais alto

Apesar do cenário desafiador, o volume total de crédito no país continuou crescendo. Em novembro, o saldo do crédito bancário chegou a R$ 7 trilhões, alta de 0,9%. O crédito às pessoas físicas subiu 1,2%, enquanto o destinado às empresas avançou 0,3%.

Ainda assim, analistas avaliam que, com a Selic mantida em nível elevado, o custo do crédito deve continuar pressionando o consumo e os investimentos, especialmente em 2025, exigindo maior cautela de famílias e empresários.

Fonte: G1