Caixa da vacina contra a dengue que será distribuída ao SUS na próxima semana
SUS receberá 300 mil doses da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai receber 300 mil doses da vacina contra a dengue já na próxima semana. A entrega ocorre após a assinatura de contrato entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan. Com isso, o Brasil dá mais um passo concreto no enfrentamento da doença, que afeta milhões de pessoas todos os anos.

Além de representar um avanço imediato, a iniciativa reforça a estratégia nacional de prevenção. Isso porque a vacina, chamada Butantan-DV, é a primeira do mundo em dose única contra a dengue e possui produção totalmente nacional. Segundo o governo federal, a previsão é que 1,3 milhão de doses estejam disponíveis até janeiro de 2026, ampliando gradualmente a oferta no SUS.

Prioridade na distribuição das primeiras doses

Inicialmente, o Ministério da Saúde definiu que as primeiras doses serão destinadas a profissionais do SUS que atuam diretamente no atendimento à população. Dessa forma, a estratégia busca proteger quem está mais exposto ao vírus no dia a dia.

Entre os grupos prioritários estão agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares. Enquanto isso, o ministério organiza a logística para ampliar a vacinação em etapas posteriores.

A previsão, conforme divulgado anteriormente, é que a vacinação desse público comece no fim de janeiro, garantindo maior segurança aos trabalhadores da saúde antes da ampliação para outros grupos.

O que diferencia a vacina Butantan-DV

A vacina Butantan-DV apresenta um diferencial importante em relação a outros imunizantes contra a dengue. Ao contrário de esquemas vacinais mais longos, ela exige apenas uma dose, o que facilita a adesão e acelera a proteção da população.

Além disso, o imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, fator considerado essencial para o controle da doença no país. Dados analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam 74,7% de eficácia contra dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos. Já a proteção contra formas graves chega a 89%, o que reduz significativamente o risco de hospitalizações e mortes.

Por isso, o registro concedido pela Anvisa em 8 de dezembro é visto como um marco para a saúde pública brasileira. Ao mesmo tempo, a assinatura do contrato consolida anos de pesquisa e investimento em ciência nacional.

Investimentos e fortalecimento do SUS

Com o acordo firmado, o governo federal prevê investimento inicial de R$ 368 milhões para o fornecimento de 3,9 milhões de doses à rede pública. Além desse valor, o desenvolvimento da vacina contou com R$ 130 milhões do BNDES, somados a aportes contínuos do Ministério da Saúde.

Enquanto isso, o fortalecimento dos laboratórios públicos segue como prioridade. Atualmente, a pasta investe mais de R$ 10 bilhões por ano nesse setor. Com novas parcerias estratégicas, inclusive internacionais, esse montante pode chegar a R$ 15 bilhões nos próximos anos.

Estratégia-piloto em municípios brasileiros

Paralelamente à distribuição das doses, o Ministério da Saúde vai adotar uma estratégia-piloto para avaliar o impacto da vacinação. Para isso, algumas cidades foram selecionadas como municípios de teste.

Entre elas estão Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará. Além dessas, Nova Lima, em Minas Gerais, também poderá integrar a iniciativa. Nessas localidades, o público-alvo será formado por adolescentes e adultos entre 15 e 59 anos.

Dessa forma, o governo poderá analisar os resultados da vacinação em larga escala e, posteriormente, ajustar a estratégia nacional. Por fim, a expectativa é que a chegada da vacina em dose única ajude a reduzir significativamente os casos de dengue no Brasil nos próximos anos.

Fonte: SBT News