
O mercado financeiro reduziu a previsão da inflação oficial do Brasil para 4,36% em 2025. O dado aparece no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, que reúne as expectativas das instituições financeiras para os principais indicadores da economia.
Na semana passada, o mercado estimava o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,4%. Agora, com o novo ajuste, a projeção segue dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Inflação permanece dentro do limite da meta
Atualmente, o CMN fixa a meta central de inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o IPCA pode variar entre 1,5% e 4,5% sem descumprimento formal.
Além disso, esta foi a quinta semana consecutiva em que o mercado reduziu as projeções inflacionárias. Enquanto isso, a inflação acumulada em 12 meses atinge 4,46%, ainda dentro do teto estabelecido.
Em novembro, o IPCA subiu 0,18%, pressionado principalmente pelo aumento das passagens aéreas. Em outubro, o índice havia registrado alta de 0,09%.
Selic segue elevada para conter a inflação
Para controlar os preços, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal instrumento de política monetária. Atualmente, a taxa básica permanece em 15% ao ano, após a quarta decisão consecutiva do Comitê de Política Monetária (Copom) pela manutenção.
Segundo o próprio BC, o cenário econômico ainda inspira cautela. Por isso, a autoridade monetária não sinalizou quando deve iniciar o ciclo de corte dos juros. A Selic, inclusive, atingiu o maior patamar desde julho de 2006.
Mesmo assim, o mercado projeta redução gradual da taxa. A expectativa indica que a Selic chegue a 12,13% ao ano até o fim de 2026. Já para 2027 e 2028, as projeções apontam novas quedas, para 10,5% e 9,5%, respectivamente.
Mercado mantém previsão de crescimento do PIB
No mesmo boletim, os analistas mantiveram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,25% em 2025. Para 2026, no entanto, o mercado prevê expansão mais moderada, de 1,8%.
Nos anos seguintes, as projeções indicam crescimento de 1,83% em 2027 e 2% em 2028. O desempenho recente da economia brasileira tem contado, sobretudo, com a contribuição dos setores de serviços e indústria.
Em 2024, o PIB brasileiro cresceu 3,4%, resultado que marcou o quarto ano consecutivo de expansão econômica.
Dólar deve encerrar o ano em R$ 5,40
O boletim Focus também atualizou a previsão para o câmbio. Segundo o mercado, o dólar deve fechar 2025 em R$ 5,40. Para o fim de 2026, a estimativa avança para R$ 5,50.
Esse comportamento reflete, principalmente, o cenário internacional, a política monetária dos Estados Unidos e as expectativas em relação às contas públicas brasileiras.
Cenário exige cautela, apesar da melhora
Apesar da redução nas projeções de inflação, o cenário econômico ainda exige atenção. Juros elevados seguem pressionando o crédito e o consumo. Por outro lado, a política monetária contribui para manter os preços sob controle e preservar a estabilidade.
Fonte: Agência Brasil



