
Os Correios decidiram encerrar o benefício de Natal dos carteiros, pago em 2024 por meio do Acordo Coletivo de Trabalho. A decisão ocorre enquanto a estatal enfrenta um dos períodos mais críticos de sua história, já que acumula sucessivos prejuízos e busca alternativas para evitar novos desequilíbrios.
Crise financeira pressiona a estatal
O balanço divulgado no fim de novembro revelou um prejuízo de R$ 6 bilhões somente entre janeiro e setembro de 2025. Por isso, a diretoria intensificou cortes e reorganizou despesas internas. Além disso, a empresa já acumula treze trimestres consecutivos de resultados negativos, o que reforça a urgência por ajustes imediatos.
Dessa forma, o corte do benefício de R$ 2,5 mil se tornou um dos primeiros movimentos para reduzir gastos. A medida atinge milhares de carteiros e, entretanto, aumenta a insatisfação entre os trabalhadores.
Tesouro rejeita aval e amplia incertezas
Enquanto o debate sobre os custos avança, o Tesouro Nacional decidiu não conceder garantia para o empréstimo de R$ 20 bilhões solicitado pelos Correios. Segundo o órgão, o aval não será concedido caso as taxas superem 120% do CDI. Por consequência, a estatal permanece sem margem para renegociar dívidas de curto prazo.
Ainda assim, a equipe econômica estuda alternativas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que qualquer apoio só será autorizado se estiver dentro das regras fiscais. Portanto, a solução ainda depende de análises técnicas e políticas.
Plano de demissão voluntária cresce em meio ao corte
Além das dificuldades anteriores, a empresa ampliou o Programa de Demissão Voluntária para 15 mil funcionários. A proposta prevê desligamentos escalonados entre 2026 e 2027. O movimento, contudo, reforça o ambiente de incerteza dentro da estatal, já que muitos servidores temem sobrecarga e perda de direitos.
De acordo com nota enviada pela comunicação dos Correios, as negociações relacionadas ao Acordo Coletivo continuam exclusivamente com os representantes dos empregados. No entanto, não há previsão de restabelecimento do benefício de Natal dos carteiros.
Trabalhadores sentem impacto direto
O fim do benefício ocorre justamente em um período de maior consumo, o que reduz a renda de milhares de famílias. Além disso, o avanço do PDV e o impasse financeiro criam um ambiente de instabilidade que se arrasta desde 2022. Diante disso, sindicatos e servidores aguardam novos desdobramentos para avaliar possíveis ações.
Fonte: Metrópoles



