Tragédia no Pantanal impacta arquitetura e cinema documental
Na tarde da última terça-feira (23), um trágico acidente aéreo ocorreu em Aquidauana, no Pantanal sul-mato-grossense. O avião de pequeno porte caiu em uma área rural, resultando na morte de todos os ocupantes. Entre as vítimas estavam o arquiteto chinês Kongjian Yu, os cineastas Luiz Fernando Ferraz e Rubens Crispim Jr., além do piloto Marcelo Pereira de Barros.
De acordo com os bombeiros, o impacto foi fatal. Ainda assim, as investigações oficiais seguem em andamento.
Aeronave tinha operação limitada, aponta Anac
Embora estivesse com a documentação em dia, o monomotor Cessna 175, fabricado em 1958, não possuía autorização para realizar táxi aéreo. Além disso, sua operação era permitida apenas durante o dia. Ou seja, voos noturnos estavam proibidos.
O avião era registrado em nome do próprio piloto. Portanto, ele também era o responsável legal pela aeronave. As causas do acidente, no entanto, ainda não foram determinadas. O caso será investigado pelo Cenipa e pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Documentário sobre cidades-esponja estava em produção
O grupo estava na região do Pantanal gravando um documentário sobre o conceito de “cidades-esponja”, criado por Yu. O termo define um modelo de urbanismo que propõe aproveitar a água da chuva, tanto para reduzir enchentes quanto para preservar recursos hídricos.
Além disso, o arquiteto era uma referência global no tema. Ele lecionava na Universidade de Pequim, era doutor pela Harvard Graduate School of Design e membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciências.
Recentemente, Yu esteve no Brasil. Durante o evento promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, em Brasília, ele discutiu soluções sustentáveis para o cenário urbano brasileiro.
Cineastas tinham trajetórias marcantes
Luiz Ferraz, fundador da Olé Produções, dedicava-se à criação de documentários com foco em identidade, memória e realidade brasileira. Ele dirigiu títulos como “Futebóis”, “O Bixiga é Nosso” e a série “Dossiê Chapecó”, indicada ao Emmy Internacional.
Já Rubens Crispim Jr., formado pela USP, era diretor de fotografia com duas décadas de experiência. Ele comandava a produtora Poseídos junto à esposa, com foco em filmes de arte e linguagem experimental.
Notas de pesar e comoção
A Olé Produções divulgou uma nota oficial:
“A família lamenta profundamente o ocorrido e agradece as inúmeras mensagens de carinho e solidariedade recebidas.”
Por outro lado, a Aerotrip, onde o piloto atuava, prestou homenagem em suas redes:
“Sua ausência será profundamente sentida por todos nós.”
O clima entre colegas e profissionais do setor é de consternação. A perda representa um abalo não apenas emocional, mas também cultural.
Fonte: UOL




