
Banco Central garante lançamento do Pix Parcelado
Mesmo após ataques cibernéticos recentes, o Banco Central confirmou que o Pix Parcelado será lançado ainda em setembro. A decisão ocorre em meio a críticas internas, limitações técnicas e falhas de segurança nas empresas que operam integradas ao sistema Pix. No entanto, o BC argumenta que a medida é necessária para padronizar as operações de crédito no país.
Modalidade foca em padronização e educação financeira
O novo modelo busca uniformizar o uso do Pix em pagamentos parcelados, além de promover educação financeira e ampliar a transparência nas contratações. Com isso, os usuários terão mais segurança ao contratar crédito via Pix, especialmente em um momento em que fraudes e golpes digitais seguem crescendo.
Adiamentos anteriores refletiram limitações internas
Funcionalidades anteriores, como o Pix Automático, também enfrentaram adiamentos. Inicialmente previsto para abril de 2024, seu lançamento foi transferido para outubro e, depois, para junho de 2025. Conforme o BC explicou, a limitação da equipe técnica da Gepix — com apenas 33 servidores — influenciou diretamente esses adiamentos.
Ciber-ataques desafiaram a capacidade de resposta
Enquanto o lançamento se aproximava, ataques cibernéticos a empresas autorizadas pelo BC causaram grandes prejuízos. A C&M Software e a Sinqia, por exemplo, sofreram ataques que resultaram em um total estimado de R$ 1,6 bilhão em perdas. Contudo, parte dos valores foi bloqueada, e o BC reforçou as regras de segurança para os Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação.
Carta de servidores alerta sobre riscos e escassez
Além disso, 31 servidores da Gepix encaminharam uma carta ao presidente Gabriel Galípolo, relatando a falta de pessoal e de recursos financeiros. Segundo o grupo, o risco operacional cresceu de forma alarmante. Por isso, solicitaram medidas emergenciais para garantir o funcionamento seguro do sistema.
Proposta de autonomia do BC volta ao debate
Diante desse cenário, surgiu a proposta da PEC da autonomia financeira do Banco Central. A mudança retiraria o BC do Regime Jurídico Único, permitindo que os servidores passassem a atuar sob a CLT. De um lado, a ANBCB apoia a proposta, pois acredita que isso traria maior agilidade na gestão. Por outro lado, o sindicato dos funcionários discorda, defendendo concursos públicos como solução.
Divergência entre Galípolo e Haddad sobre PEC
Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheça avanços no texto da PEC, ele discorda da mudança no regime jurídico. Para ele, a pauta não deve se tornar uma reivindicação corporativa. Ainda assim, Gabriel Galípolo agradeceu o apoio do governo e afirmou esperar um consenso para que a proposta avance no Senado.
Segurança digital e continuidade institucional
Apesar das ameaças e da escassez de pessoal, o Banco Central manteve o lançamento do Pix Parcelado. Isso demonstra não apenas o esforço institucional pela modernização dos meios de pagamento, mas também a tentativa de manter a confiança da população mesmo em um ambiente de instabilidade cibernética.
Fonte: Valor Econômico



