
Brasil cresce menos que vizinhos e emergentes
Desde a década de 1980, o Brasil apresenta crescimento abaixo da média mundial. Entre 2000 e 2025, o país registrou taxa média de 2,4% ao ano. Nesse mesmo período, a China cresceu 8,2% e a Índia 6,3%. Além disso, até mesmo Chile (3,4%), Colômbia (3,6%) e Peru (4,1%) superaram o desempenho brasileiro.
As raízes da estagnação
Especialistas consultados afirmam que não existe uma solução única para o baixo crescimento. Pelo contrário, a estagnação resulta de diversos fatores combinados:
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Crises fiscais recorrentes e endividamento público;
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Baixa produtividade e falta de investimento em tecnologia;
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Atraso educacional que limita a formação de mão de obra qualificada;
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Gastos públicos elevados sem contrapartida em eficiência.
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, ressalta que somente reformas estruturais — tributária, administrativa e previdenciária — podem estabilizar as contas públicas e destravar a economia.
Educação: investimento alto, resultados baixos
O Brasil destina 5,5% do PIB à educação, proporção comparável a países desenvolvidos. No entanto, o desempenho no Pisa segue abaixo da média mundial. Isso mostra que, embora se gaste bastante, a aplicação dos recursos não gera os resultados esperados.
Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, explica que outros países avançaram porque priorizaram qualidade, inovação e gestão eficiente. Já no Brasil, prevalece o foco em verbas e não em aprendizado. Assim, o atraso educacional compromete a formação de profissionais para áreas tecnológicas e estratégicas.
A herança de décadas perdidas
O chamado “milagre econômico” (1968–1973) foi seguido por forte endividamento e inflação. Como consequência, o país enfrentou crises nos anos 1980 e consolidou uma trajetória de baixo crescimento.
De acordo com Márcio Holland, da FGV, o Brasil preferiu expandir indústrias de montagem em vez de investir em tecnologia de ponta. Enquanto isso, países como Coreia do Sul e Taiwan apostaram em inovação e qualificação de mão de obra.
Crises políticas e entraves fiscais
Após a redemocratização, sucessivas crises políticas e institucionais reforçaram a desconfiança. Desde 2014, o Brasil convive com um déficit público crônico, que eleva juros e trava investimentos.
Lisboa resume: “Foram 26 anos de crescimento contra 14 de crise”. Em comparação, outros emergentes enfrentaram menos instabilidades.
Perspectivas para o futuro
Diante da guerra comercial com os Estados Unidos e do avanço tecnológico global, economistas defendem que o país precisa apostar em um novo caminho. Portanto, reformas estruturais, incentivo à inovação e integração internacional tornam-se indispensáveis.
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, alerta que o Brasil não pode perder mais tempo. Segundo ele, o custo de permanecer isolado é alto demais: “O mundo fez parcerias, enquanto nós ficamos amarrados ao Mercosul”.
Fonte: CNN Brasil



