
Empresas relatam tarifas inesperadas da Venezuela sobre produtos brasileiros. O comércio com Roraima é o mais afetado, já que Venezuela taxa Brasil inesperadamente.
Venezuela taxa Brasil e exportadores suspendem envios
Empresas brasileiras relatam obstáculos inesperados para vender à Venezuela. Desde meados de julho, autoridades venezuelanas passaram a cobrar tarifas sobre produtos antes isentos. Mesmo com certificados de origem válidos, a cobrança ocorreu de forma inesperada.
A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) afirma que a medida contraria o Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que garante tarifa zero para diversos itens entre os dois países.
“Mesmo com os certificados emitidos por nós, as empresas informam que os produtos estão sendo taxados”, relatou Ivan Gonzalo, analista da Fier.
Falta de aviso oficial aumenta a incerteza

Até o momento, o governo da Venezuela não publicou nenhum comunicado oficial sobre a mudança. Essa ausência, portanto, gera dúvidas sobre uma possível falha no sistema ou uma decisão deliberada.
A Câmara de Comércio de La Guaira informa que o sistema parou de aplicar automaticamente os benefícios dos acordos com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Além disso, agentes aduaneiros relatam dificuldades para registrar certificados de origem, o que resultou na cobrança de impostos.
Embora a imprensa local mencione alíquotas entre 15% e 77%, a Fier ainda não confirmou esses percentuais. Por isso, o cenário permanece indefinido.
Exportações de Roraima sofrem o maior impacto

Apesar de a Venezuela representar apenas 0,4% das exportações brasileiras, o país é o principal destino das exportações de Roraima. Em 2024, 46,1% das vendas externas do estado tiveram como destino o país vizinho.
Entre os produtos exportados estão óleo de soja, margarina, farinha de trigo e compostos lácteos. Muitos desses itens são produzidos em outros estados. No entanto, são escoados por empresas com sede em Roraima.
“Apesar da crise, a Venezuela continua sendo um cliente importante, especialmente para o Norte do Brasil”, destacou Gonzalo.
Governo brasileiro atua para resolver a crise
O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) acompanham a situação. Ambos acionaram a Embaixada do Brasil em Caracas. A intenção é esclarecer os motivos da cobrança e restabelecer os termos do acordo bilateral.
A Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio de Roraima também notificou a embaixadora brasileira, alertando para os impactos imediatos da situação. Além disso, o governo de Roraima afirmou, em nota, que a medida prejudica a competitividade dos produtos locais, o agronegócio, os empregos e a arrecadação do estado.
Tensão comercial exige resposta rápida
O episódio reforça a instabilidade do comércio com a Venezuela. Diante disso, exportadores aguardam uma definição urgente para retomar os envios. Enquanto isso, o governo brasileiro busca uma saída diplomática que preserve os acordos firmados.
Fonte: BBC Brasil



