Muito hype, pouco uso: Pesquisa revela desinteresse sobre IA

Pesquisa do Instituto Reuters com a Oxford revelou que produtos com IA generativa, como o ChatGPT, têm muito hype, mas pouco uso diário

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Muito hype e pouco uso diário. É assim que uma pesquisa do Instituto Reuters e da Universidade de Oxford descreve produtos com inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT. A pesquisa entrevistou 12 mil pessoas em seis países: Argentina, Dinamarca, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Produtos com IA têm muito hype e pouco uso diário, diz estudo

  • Uma pesquisa do Instituto Reuters e da Universidade de Oxford revelou que produtos com IA generativa, como o ChatGPT, têm muito hype, mas pouco uso diário. A pesquisa entrevistou 12 mil pessoas em seis países, incluindo Argentina, Dinamarca, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.
  • No Reino Unido, apenas 2% dos entrevistados usam ferramentas com IA generativa diariamente. E os jovens (entre 18 e 24 anos) são os mais entusiasmados com essa tecnologia. Apesar do investimento bilionário das empresas de tecnologia desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, a IA generativa ainda não se tornou parte da rotina diária de muitos usuários;
  • Ainda segundo o estudo, grande parte do público não está particularmente interessado na IA generativa. Mas a pesquisa descobriu que a maioria acredita que a IA generativa terá um grande impacto na sociedade nos próximos cinco anos, especialmente em notícias, mídia e ciência;
  • Embora muitos acreditem que a IA generativa melhorará suas vidas, há um pessimismo generalizado sobre seu impacto na sociedade como um todo. As pessoas são otimistas sobre seu uso em ciência e saúde, mas cautelosas quanto ao seu uso em notícias e jornalismo, e preocupadas com a segurança do emprego.

O autor principal do estudo, Richard Fletcher, disse à BBC que há um “descompasso” entre o “hype” em torno da IA e o “interesse público” nela.

No Reino Unido, por exemplo, apenas 2% dos entrevistados disseram usar ferramentas com IA generativa diariamente. E os jovens (entre 18 e 24 anos) são o público mais animado com a nova tecnologia.

IA generativa ainda não ‘pegou’ na rotina, diz estudo

Pessoa usando ChatGPT num Macbook

O estudo analisou opiniões sobre ferramentas de IA generativa – a nova geração de produtos capazes responder a comandos (prompts) em linguagem natural com textos, imagens, vídeos.

O lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, desencadeou uma corrida armamentista entre as empresas de tecnologia. De lá para cá, as companhias têm investido bilhões no desenvolvimento de suas próprias funcionalidades de IA generativa.

No entanto, a pesquisa do Instituto Reuters com a Oxford indica que, apesar de todo o dinheiro e atenção dedicados à IA generativa, ela ainda não se tornou parte do uso rotineiro da internet.

“Grande parte do público não está particularmente interessado na IA generativa, e 30% das pessoas no Reino Unido dizem que não ouviram falar de nenhum dos produtos mais proeminentes, incluindo o ChatGPT,” disse Fletcher.

O que as pessoas realmente pensam sobre IA? Pesquisa responde

Ilustração de silhueta de pessoa com chip no lugar do cérebro para representar conceito de inteligência artificial

A nova geração de produtos com IA generativa também desencadeou um intenso debate público sobre se terão um impacto positivo ou negativo no mundo.

A pesquisa tentou medir o que o público pensa sobre a nova tecnologia. E descobriu que:

  • A maioria acredita que a IA generativa terá grande impacto na sociedade nos próximos cinco anos, particularmente para notícias, mídia e ciência;
  • A maioria disse que acha que a IA generativa tornará suas próprias vidas melhores;
  • Quando perguntados se a IA generativa tornará a sociedade como um todo melhor ou pior, as pessoas geralmente foram mais pessimistas.

“As pessoas são geralmente otimistas quanto ao uso da IA generativa em ciência e saúde, mas mais cautelosas quanto ao seu uso em notícias e jornalismo, e preocupadas com o efeito que ela pode ter na segurança do emprego”, disse Fletcher.

Para ele, a pesquisa mostrou que é importante para todos, incluindo governos e reguladores, aplicar nuances ao debate em torno da IA.