Ambulancha é apoio das equipes de saúde na missão de salvar vidas ribeirinhas

Ambulância fluvial, batizada com nome de índio pioneiro de Calama, oferece segurança e comodidade para atendimentos de urgência e emergência

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Quem vive nas comunidades ribeirinhas distantes de Porto Velho sabe a importância de contar com transporte adequado, principalmente durante as emergências de saúde, onde a celeridade no atendimento médico é fundamental para salvar vidas.

Desde junho de 2022, quando a Prefeitura de Porto Velho entregou uma ambulancha ao distrito de Calama, essa não é mais a preocupação dos moradores da localidade e adjacências (Demarcação, Gleba Rio Preto, Papagaios, Nova Esperança, Maici, entre outras).

A ambulancha que atende essas comunidades há seis meses é do tipo F, ou seja, tem capacidade para oito pessoas, espaço para uma maca, banheiro, iluminação própria para navegação noturna, rede de oxigênio, equipamentos para sutura, imobilização, mobiliário e etc.

O transporte dos pacientes na ambulância fluvial ocorre em casos de urgência e/ou emergências médicas. De acordo com o diretor do Departamento de Transporte (Ditran) da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Adailson Gonçalves, a embarcação realiza em média 20 viagens mensais.

Um desses pacientes foi Ranniere Nogueira da Silva, 29 anos. No dia 21 de dezembro, o jovem cortava castanha na mata quando sofreu um acidente grave que resultou num corte profundo na cabeça com afundamento de crânio. O pai, Roselio Soares da Silva, buscou ajuda na unidade de saúde de Calama e foi prontamente atendido.

“O socorro foi rápido. A equipe fez o primeiro atendimento e preparou meu filho para o transporte na ambulancha, que seguiu para Humaitá. Graças a Deus temos esse equipamento à disposição da população. Se não fosse isso, não sei o que teria acontecido com meu filho”, agradece Roselio.

Ambulancha foi entregue em junho de 2022

Para atender as urgências e emergência, a Semusa mantém profissionais que trabalham de sobreaviso 24 horas e são acionados em casos de necessidades em qualquer horário. “Os pacientes geralmente são acompanhados por um técnico de enfermagem, em casos de menor potencial. Em situações mais graves, médicos e enfermeiros também acompanham o paciente na viagem”, explica Adailson Gonçalves.

“É um equipamento com motor potente, que faz a viagem mais rápida como pede as situações de saúde onde esse veículo é utilizado. As ocorrências mais comuns são picadas de cobras, gestantes em trabalho de parto, acidentes de trabalho, cortes profundos, agravos em crianças”, conta o diretor.

Angela Batista Lopes, de 44 anos, moradora da comunidade ribeirinha Rio Preto utilizou a ambulância fluvial em duas oportunidades, para atender emergência com o filho e o marido. “O transporte é de extrema necessidade para as regiões mais isoladas como a nossa. A gente é sempre muito bem atendido e contamos com esse apoio”.

Jeddas Canoê é profissional da saúde e moradora da comunidade Maici há 18 anos. Já ajudou no socorro de muitos pacientes, mas nem sempre com a estrutura disponibilizada hoje. “Coisa melhor do mundo, que carrega o paciente com dignidade, em qualquer horário e independentemente das ações do tempo. Essa ambulancha tem tudo o que precisamos para o socorro do paciente. É rápida, segura, confortável e equipada para suturas e partos, se for o caso. É uma verdadeira conquista para nossa comunidade”, comemora Jeddas.

A secretária de Saúde municipal, Eliana Pasini, relata que a atual gestão tem investido recursos na melhoria e ampliação dos serviços de saúde. “É uma preocupação constante garantir atendimento com qualidade à população e para isso estamos trabalhando. Contratando profissionais, reformando unidades, comprando ambulâncias e proporcionando qualidade de vida à população”, reforça a secretária.

HOMENAGEM

A ambulancha foi batizada pela comunidade com o nome de Bore’í, um indígena que viveu na região entre 1909 e 1997. A documentação que legitima o nome da embarcação foi protocolada e aprovada pela Capitania dos Portos.

Pertencente ao Povo Parintintin, Bore’í nasceu no Rio Branco Marmelo, município de Humaitá, em 9 de junho de 1909, filho de pais desconhecidos. Encontrado por equipes do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) aos sete anos, foi levado para viver na região do Rio Maici, próximo de Calama, onde casou-se com Maria Auxiliadora e teve dois filhos, formando uma das primeiras famílias nativas da região.
Em 1996, Bore’í escolheu viver na Terra Indígena Nove de Janeiro, Humaitá, onde morreu um ano depois, aos 88 anos.